Textos

23 de junho de 2015

Ilustração:
Ale Kalko

Fim. Ponto.

Para ela, o fim começou quando olhou para o lado esquerdo da cama e ele tinha se transformado num grande algodão doce cor-de-rosa gigante.

Todo começo de fim com esperança é bonito: a partida para a jornada, a silhueta da mulher abraçada ao seu confeito róseo na contraluz.

A esperança é feita de açúcar e se dissolve com o suor do esforço.

Arrastar uma história é querer atravessar um deserto no sol abraçada a um grande algodão doce cor-de-rosa gigante. O anseio de que vai sobrar um pouco quando chegar do outro lado, mas o doce sempre vira um punhadinho de qualquer coisa disforme na mão manchada, com um pouco de areia. E de qualquer maneira, no final da travessia, tudo o que se tem é sede.

Tudo o que se quer é água.

Ale Kalko
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