Uma viagem por Florença, Toscana e Roma | Dicas e Diário de Bordo
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01 de março de 2012

Uma viagem por Florença, Toscana e Roma | Dicas e Diário de Bordo

Inicio de fevereiro de 2012. A bordo de um airbus A330 Air France, após duas horas de espera no aeroporto – uma espera que nem pareceu tão longa após conhecer um gentil inglês que me emprestou o carregador do celular, no melhor estilo lord. Também conheci Isadora, de vinte e poucos anos, que irá a Paris fazer um curso para iniciantes na língua. Nada mal apprendre le français em Paris! Agora cá estou no avião, mãos desajeitadas, com minha bolsa e máquina fotográfica em baixo da poltrona da frente, e travesseiro e cobertor para embalar meu sono (tão desejado) ao longo da viagem.

Viajo ao lado de um clone do Matt Damon, mas húngaro – simpático, com um inglês bem ruim. Após 11 horas de voo, aeroporto Charles de Gaulle. Correria para pegar a conexão comme toujours. Mas já dentro de um A320 Alitalia, rumo a Roma. Percebe-se claramente que a tripulação é italiana pela recepção calorosa. Comandante veio me perguntar da onde eu vinha, comissária de bordo também. Parece que causei um certo frisson.

Conexão entre Roma e Florença com três horas de espera no aeroporto. Quando finalmente embarquei, pensei que ia conseguir descansar um pouco, mas dei de cara com um punhado de crianças chinesas fazendo uma bagunça daquelas e uma mãe com voz estridente. Não será um voo em silêncio!

Meu primeiro dia na Itália: acordamos cedo e partimos para um pequeno tour na Toscana, nos arredores de Florença. Siena foi a primeira parada. Fora o frio que estava de gelar a alma (cerca de um grau positivo), foi uma cidadezinha que valeu muito a pena ter conhecido: uma igreja magnífica e gelaterias lindas – mas não sei como alguém consegue provar nada nesse frio de trincar os dentes. Na sequência, fomos a San Gimignano, imperdível, uma cidade medieval no alto de uma montanha. Almoçamos por lá (uma bela e tradicional macarronada) e saímos rumo à região dos famosos vinhos chianti. Passamos por diversas vinículas, todas secas em função do inverno. E, por ser domingo, infelizmente não podemos parar nas fazendas para degustar os vinhos – estavam todas fechadas. Tente programar a sua ida em outro dia da semana. Mas achamos um bar bem charmosinho na volta e paramos para provar o vinho. Finito. Voltamos a Firenze para aproveitar a cidade à noite. Caminhamos por cerca de 20 quadras a partir do hotel e valeu cada pernada: fomos até a Ponte Vecchia, onde encontramos um pequeno e acolhedor restaurante familiar e fomos bem tratados. Eu fui de spaguetti al frutti di mare e o Guilherme, gnocchi recheado de gorgonzola e pêra (de comer rezando!).

O dia seguinte foi dia de compras em Florença, enquanto Guilherme trabalhava. Fui ao Outlet The Mall, onde encontrei uma bolsa e duas calças lindas que foram para o hotel comigo. O frio atrapalha um pouco as caminhadas – o pior é o vento. Meu terceiro dia, por exemplo, começou só à tarde, porque a manhã estava gelada demais para enfrentar as ruas a pé. Fomos ao Museu Uffizi, que tem esculturas e quadros de artistas italianos consagrados como Botticelli, Michelangelo e Da Vinci. Para completar o passeio cultural, saímos de lá para a Basílica di Santa Maria del Fiore, ou Duomo. Famosa pela sua monumental cúpula – obra do celebre arquiteto renascentista Brunelleschi. A subida é penosa, uns duzentos degraus, mas esquecemos do cansaço ao ver tamanha beleza! Ao entardecer, uma neve fina veio nos saudar. À noite, a neve veio com força total, cobrindo as ruas e os carros de branco.

Depois da curta e proveitosa estadia em Firenze, acordamos já nos preparando para viajar até Roma. Termperatura de 1.5 graus. Caos total no aeroporto por causa da neve, sobretudo em Roma. O aeroporto me fez lembrar os nossos em época de caos aéreo, com tanta confusão. Pelo menos a companhia área nos dá um voucher para refeição para amenizar o atraso de duas horas. Quando enfim conseguimos embarcar e chegamos, a impressão que fica de cara é que os romanos querem agradar e surpreender: são muito mais simpáticos que o pessoal da Toscana. Check in no Hotel Arthemide, na Via Nazionale, 22, um quatro estrelas simples, mas muito agradável e acolhedor. Com direito a welcome drink e um café da manhã grátis. Como já estava noite, perguntamos logo na recepção sobre sugestões de cantinas nos arredores, pois íamos caminhando. Sugeriram uma localizada à uma quadra do hotel – Berzitelli. Simplesmente magnífica a preço muito justo. A pizza (cabe em um prato, individual) custa cerca de 8 euros cada. Ouvi tocar Michel Teló (Delícia, delícia…assim você me mata…) por duas vezes no restaurante – sucesso incontestável na Europa.

O dia seguinte foi dedicado ao turismo pela impactante cidade que é Roma. Fomos logo procurar aqueles ônibus vermelhinhos para não errar. Por 18 euros/pessoa, tem-se direito a dois dias de passeio, descendo em qualquer ponto e subindo em outro da mesma companhia – a nossa era 110 Open. A primeira parada foi o Coliseu, que chega a causar arrepio. Se não me falha a memória, a entrada é cerca de 20 euros. E o passeio precisa durar pelo menos uma hora pelo tamanho do monumento, mas fica a critério do turista sempre. Ouvi falar que tem turista que leva 3 horas…Na sequência, passamos em frente ao Foro Romano, Piazza de Porta Capena, Piazza Venezia (lindissima), e a tão esperada Fontana de Trevi – óbvio que joguei moedinhas em troca de desejos realizados. E como é bela esta Fonte!!!

Almoçamos ali pertinho da Fontana de Trevi e surpreendentemente outro excelente e desta vez refinado restaurante de nome Chianti, na rua Salvatore. Vasta carta de vinhos, preço justo, comida saborosa e com boa diversidade. Opção de buffet (à la Rascal) ou menu. À tarde, mergulhei nas compras – afinal a palavra SOLDI soa como música para meus ouvidos e perdi a cabeça.

Uma rua com ótimas opções de compras e com boas lojas é a Via del Corso, bastante longa também. Depois, segui uma sugestão de um amigo aqui do Brasil: fomos à pizzaria do Baffetto. Local bem simples, jovial e com uma pizza deliciosa (despretensiosa). Começou a chover forte e voltamos para o hotel.

Amanheceu. Dia 03 de fevereiro, ou o dia do “perrengue”. Um dia que começou muito bem com a bela visita à cidade do Vaticano. A basílica é lindíssima e chega a emocionar pela sua grandiosidade e paz que se encontra naquele local. Ao sair da basílica nos deparamos com muita neve caindo, e Guilherme insistiu em ir até a Capela Sistina, já que estávamos muito próximos. E assim foi. Pegamos um taxi devido à forte neve, pois em dia limpo poderiamos ir caminhando facilmente. Antes de chegar à Capela Sistina, passamos pelo Museu do Vaticano que é deslumbrante. E a Capela Sistina pura obra de arte. Terminado o passeio, começa a parte do perrengue: não havia mais um ônibus sequer nas ruas (nem o nosso de turismo), não tinha mais nenhum taxi circulando e os únicos carros que estavam na rua, estavam patinando no gelo. Sempre que a coisa tá preta, ela pode piorar. Comecei a sentir meus pés úmidos e vi que minha bota tinha cedido, permitinho que a água penetrasse nos meu pés. A sombrinha de 3 euros que comprei para suportar uma chuvinha, não suportou a neve e quebrou toda . Tivemos que caminhar por aproximadamente 8 quadras até a estação de metrô mais próxima. Lotado! Mas seco. Presenciei uma tentativa de furto no meu vagão (isso também acontece na Europa), os ladrões agiam como se fossem um casal, pareciam ciganos. Mas não se deram bem naquela tentativa.

Nosso último dia em Roma foi bastante limitado para passeios. Por causa da neve, a maioria das lojas não abriu, os ônibus pararam de circular e taxis idem. Almoçamos na cantina do primeiro dia: Berzitello e à noite saímos para dar uma volta quando a vida começou a retomar nas ruas da cidade. Segue outra sugestão de restaurante muito bom, tradicional, dizem que um dos melhores da cidade, com a melhor pizza segundo os romanos (que gostam de massas finas, ao contrário dos napolitanos) – Gusto – restaurante e pizzaria. Optamos por voltar para casa caminhando, pois descobrimos que por lá a conhecida bandeira 2 dos taxistas fica a critério do motorista. À noite, não recomendo pegar taxi, a menos que negociem o preço antes.

E valeu muito à pena voltar admirando Roma à noite (o Pantheon fica lindo iluminado!!), andamos cerca de 4 km e cama!

Considerações finais:

– Dificil não comer bem na Itália, nós não temos nenhuma ressalva.

– Em geral, os italianos são simpáticos e acolhedores, porém um pouco intolerantes com o modo de vida acelerado que levamos. Em um restaurante, vimos um cliente perguntar ao garçom se possuiam Wi-fi. E a resposta foi curta e grossa: Aqui é um restaurante, para “mangiare”. 😉

Alessandra Mauad
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