Textos

19 de março de 2013

O tempo de cada um de nós (dois)

Você já se pegou pensando se aquela pessoa que você namorou há anos tivesse te conhecido hoje, mais madura, com menos medos e mais vivência, teria sido diferente?

Você já percebeu como o relacionamento com sua irmã ou seu pai mudou depois de alguns anos e novas experiências de vida?

Você já imaginou que se fosse em outro momento aquele ou outro relacionamento teria outro rumo?

Ah… o tempo. “O tempo de cada um de nós dois poderia sincronizar”!

Parece que esse encontro é uma coreografia marcada por um ritmo correto. Dois pra cá, dois pra lá, uma hora um, outra hora o outro. E quem pega o embalo e consegue rebolar, ganha anos de muita valsa, alguns tangos e, vira e mexe, um forró colado.

Se é para dançar conforme a música, como manter o ritmo certo? É aí que me pego pensando nas amizades, estas relações que se constrõem assim, no ritmo da própria vida. Nem sempre dá para se encontrar, às vezes passam-se anos distantes, mas, diz aí, quando aquele velho bom amigo te chama pra dançar, parece que vocês sempre estiveram entre rodopios, repetindo os mesmos passinhos ensaiados na adolescência; por mais que a sua vida seja mais para o rock e a dele mais para o samba.

E me lembrei desta cena que ilustra o texto, do filme “Perfume de mulher”, em que o Coronel – então cego – se guia pelo perfume da mulher para levá-la pelo salão no mais belo tango. Vai ver, quando tudo ficar nebuloso e escuro, é isso, uma essência assim, um perfume: aquela admiração que está sempre no ar – seja toda a história construída com os amigos de infância ou a paixão por aquele que que está construindo uma vida ao seu lado – o que guia o ritmo e faz o tango ser eterno, mesmo que dure uma música.

Ana Luiza Gomes
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