Textos

01 de setembro de 2015

Descompasso

Dentro do espaço de tempo
Da dor que sinto no peito
Espio o pensamento roto
Convertido em água
E que me verte pelos dedos

Transfiguro em sonho a realidade triste
E em vida o devaneio morto
Permaneço imóvel
Absorta a um rio que corre em direção oposta ao seu leito

Somos prisioneiros de uma felicidade moribunda
Fétida, como o cheiro de um cadáver que acaba de ser enterrado
Todo o amor de outrora
Partiu-se como um vaso que se estilhaça sem reparo

Muda teu jeito de espiar o mundo
Aprende com a natureza a coisa única
Que é o nascer do sol
Para todos, acima dos olhos cegos
Existe o horizonte

 

* Imagem: pintura de Aleksandra Waliszewska

Ana Paula Magalhães
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