Textos

11 de fevereiro de 2014

O amor é do tamanho de um limão

O amor tem 12 semanas, 5 dias, o tamanho de um limão e mora dentro de mim. Amor invisível, que não se toca ainda, mas que se ama com a força de um leão. Amor sublime, desses que não se encontra por entre lençóis baratos. O amor tem fome e precisa comer a cada 3 horas, senão não vinga. O amor tem coração batendo forte a 146 bpm, é abençoado e me faz chorar a cada descoberta boba. O amor é inocente, mas responsável por uma reviravolta em outra vida já calejada. O amor se movimenta devagarinho, mexe preguiçosamente seus pequenos membros ainda não formados, mas sabe direitinho a que se destina: ser amado. O amor tem sexo definido, mas ainda não tem nome, justamente porque esse tipo de amor não se nomeia assim de uma hora para outra. Amor dessa natureza é difícil, dá trabalho e espera o seu momento de vir ao mundo. O amor tem uma imensidão de células, mas apenas dois cromossomos. Um meu, outro seu. Perfeitamente feitos um para o outro. O amor flutua insólito na escuridão de uma cápsula repleta de líquido amniótico e ignora a realidade triste aqui de fora. Uma pena saber que daqui a pouquinho você, meu amor, vai ter que fazer parte de todo esse circo. Mas eu te prometo que vou fazer de tudo para ser um pouco menos doloroso. Vou até sorrir, vestir cores, parar de ouvir músicas góticas e ver desenhos irritantes mais de um milhão de vezes. Eu te prometo, meu grande pequeno amor, que tentarei ser legal, mas não perfeita. Porque perfeição me dá náuseas. Como as que sinto de vez em quando pela manhã, enquanto você cresce. Eu te prometo, meu grande pequeno homem, que serei eu mesma, sendo você, parte de mim, pedaço do meu ser. Eu te prometo, mesmo que erre mais do que tenho errado, que nosso microcosmos pode ter cheiro de brigadeiro de panela. Eu te prometo, até o fim, eu te prometo. O amor tem 12 semanas, 5 dias, o tamanho de um limão e não cabe dentro de mim.

 

* Ilustração: Thiago Thomé (Liquidpig).

Ana Paula Magalhães
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