Flip Flop

Em mês de Flip, a vida da Confeitaria girou em torno da literatura e do feminismo. Estes foram nossos temas centrais. Na própria festa literária, tivemos uma pequena, porém cuidadosa cobertura do evento no Instagram e em nosso site, com resenhas das mesas mais legais (não coincidentemente, eram mesas com mulheres). A cover arte do mês, criada pelo artista Diego Mouro, também foi temática.

Portuguesa radicada no Rio, a escritora Matilde Campilho foi a mais procurada de Paraty, com 398 exemplares vendidos durante a Flip. Nossa nova colaboradora, a jornalista pernambucana Priscilla Campos, escreveu sobre o livro de poemas de Matilde na Confeitaria.

Priscilla também entrevistou a escritora, designer e editora Ana Luisa Escorel, filha de Antonio Candido, um dos críticos literários mais importantes do país. Ana foi a primeira mulher a vencer na categoria de livro do ano do Prêmio SP de Literatura, uma das principais premiações literárias do Brasil, e a de maior valor (R$ 200 mil). Seu romance Anel de Vidro aborda a trajetória de dois casais envolvidos em uma trama de infidelidade.

Já Aline Vallek, que participou de uma mesa sobre a ocupação do espaço literário, compara a dificuldade em vencer as pedras de Paraty ao percurso das minorias tentando assegurar seu espaço na literatura.

 

Tá pouco de feminismo, manda mais

O feminismo aparece ainda no artigo Mulheres, literatura e mais uma provocação, com o qual Natacha Cortez abre uma nova seção de nosso site, dedicada a matérias e artigos autorais. Surge também na inauguração da primeira sala temática feminista de São Paulo, na Biblioteca Cora Coralina, em  Guaianases, periferia da cidade.

A sala foi feita por revindicação de um núcleo de mulheres da região e parte do acerto de 1000 títulos vem de uma doação da biblioteca pessoal de Rosângela Rigo, militante feminista morta em um acidente de carro no começo do ano. Além do acervo, a sala pretende se consolidar com um ponto de referência cultural na discussão de gênero a partir de uma programação cultural continuada, com grupos de leitura e oficinas.

 

Zines

Ainda no campo das bibliotecas, tivemos a inauguração da Biblioteca da Feira Plana no Elevado, que passa a disponibilizar a coleção de zines e publicações da Feira Plana para consulta gratuita. O acervo traz publicações das três edições da Feira Plana — entre as quais estão nossos livros — e zines internacionais da coleção pessoal de Bia Bittencourt, idealizadora da feira e da Biblioteca. A Confeitaria é uma das apoiadoras do projeto.

 

Novidade na Confeitaria

Além de Priscilla, temos ainda uma nova autora no time: a ilustradora, designer e escritora Ale Kalko, que já estreia com dois textos escritos e ilustrados por ela: A equilibrista e o cuspidor de fogo e Fim.Ponto.

Novos projetos de nossos autores

Mariana Reis e Gabriela Biscáro repetem a parceria testada no livro Amor; Pequenas Estórias em um novo projeto. O site Quanto Baste mistura lirismo, receitas e ilustrações para falar de sentimentos que enchem barriga.

Débora Cassolato agora tem um programa na rádio, o Debbie Records, na Brasil 2000. Vai ao ar toda última sexta-feira do mês, às 22h.

Já Thiago Blumenthal lançou o zine , ao lado dos sócios da editora Lote 42. A publicação é trimestral com projeto gráfico de Gustavo Piqueira, da Casa Rex. A primeira edição foi ilustrada pelo artista João Montanaro.

 

Links legais

Na Piauí, dois links que valem o clique: um com poemas de Ana Martins Marques, uma das maiores poetas contemporâneas no Brasil; outro com um texto legal sobre o personagem Escobar, de Dom Casmurro. Em linhas gerais, o historiador André Boucinhas chama atenção para o caráter burguês do amigo de Bentinho, e para o fato de que a oposição entre eles pode estar muito além do ciúmes de Capitu, devendo-se a uma questão de classe.

No UOL, um especial sobre gentrificação mostra a relação entre aquele café bacana que abriu no bairro e a alta dos alugueis.

Na New Yorker, escritores elegem suas palavras favoritas em língua inglesa. Infelizmente, ninguém escolheu “elope”. Elope = fugir para casar. Que específico pode ser um idioma.

Outra questão linguística: como a pontuação convive com emojis e emoctions? Esse é apenas um dos posts muito úteis e relevantes que a linguista Gretchen McCulloch tem feito sobre linguagem de internet para o Mental Floss. Ela tem ainda um blog chamado All Things Linguistic.

Ainda na intercessão entre linguagem e tecnologia, desenvolveram um mapeamento colaborativo no Google Maps onde leitores podem localizar o cenário onde se passam seus livros favoritos. Nós brasileiros temos de cara um desafio: não tem nenhum livro ali que seja marcado no Brasil.

Para terminar, ficamos com uma foto da Cool & Books, em Bruxelas, Bélgica — um lugar tentador para quem é obcecado por livros. Restaurante e bar com diferentes ambientes temáticos estão integrados à espaçosa livraria.

cookandbook

Destaques da Confeitaria:

15 escritores judeus que todos deveriam conhecer, por Artur Benchimol

E agora para algo completamente diferente, por Jeanne Callegari

Quarto de hotel barato, de Daniela Antoniassi

 

Destaques da Loja da Confeitaria:

Tempo; Achados e Perdidos

Arthur D’araújo Sketchbook

Passarinhos, de Juliana Vomero
Novos pontos de venda:

Nosso livros e nosso fanzine Tempo; Achados e Perdidos já está à venda também nas livrarias Blooks (Shopping Frei Caneca), Monkix (Vila Madalena) e Banca Tatuí (Santa Cecília), ambas em São Paulo. Em breve também na Ugra Press (Rua Augusta), em São Paulo, na livraria Arte & Letra, em Curitiba, e na Blooks do Rio de Janeiro (Praia de Botafogo).

 

* Este é o texto da nossa newsletter de julho, escrita por Fabiane Secches e Juliana Cunha