Nosso primeiro fanzine

No dia 14 de junho, lançamos o nosso primeiro fanzine: Tempo; Achados e Perdidos.

“Fanzine é uma abreviação de fanatic magazine. (…) Fanzine é portanto, uma revista editada por um fan (fã, em português). Trata-se de uma publicação despretensiosa (…) No Brasil, o termo fanzine é genérico para toda produção independente. Houve uma distinção entre fanzines (feitos por fãs) e produção independente (produção artística inédita), mas a disseminação do termo ‘fanzine’ fez com que toda a produção independente no Brasil fosse denominada ‘fanzines’.” — Wikipedia

Quando primeiro surgiu a ideia de criar uma publicação impressa relacionada com a Confeitaria, em 2014, estudamos diferentes formatos até chegar ao fanzine, que é aquele que melhor representa o que desejávamos fazer: uma pequena imersão em temas pré-determinados, publicada de forma acessível.

Para o primeiro volume, o nosso protagonista é o tempo.

 

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De lá para cá, estivemos preparando esta antologia, que reúne 25 autores e colaboradores. A impressão em papel jornal nos pareceu a opção perfeita para uma publicação que se deseja despretensiosa, com projeto gráfico cuidadoso, mas que não se sobreponha ao conteúdo.

A intenção é que o fanzine da Confeitaria seja periódico, possivelmente semestral.

Tempo; Achados e Perdidos tem 36 páginas + um encarte colorido e custa R$ 10 (dez reais). Optamos pelo encarte para a receita ilustrada para que o leitor tenha liberdade de usar essa página para outros fins: emoldurá-la num quadrinho ou guardar junto às receitas na cozinha, por exemplo.

Para este encarte, o chef e ilustrador Guiherme Poulain, do blog Moldando Afeto, criou uma versão ilustrada da receita das famosas madeleines do clássico Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust — impossível passar pelo tema sem mencionar o escritor francês, que inspirou outros dois textos do fanzine (de James Scavone e Thiago Blumenthal), assim como a ilustração e a citação que abrem o fanzine.

 

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Entre os autores que abordaram o tema sob diversas perspectivas e formatos, estão: Alessandra Nahra Leal, Aline Valek, Ana Guadalupe, Ana Paula Magalhães, Ana Paula Rocha, Artur Benchimol, Carolina Lancelloti, Clara Averbuck, Daniela Antoniassi, Fabiane Secches, Fabricio Teixeira, Flávia Stefani Resende, Francine Bittencourt, Gui Poulain, James Scavone, Janine Bitencourt, Juliana Cunha, Liliane Prata, Pedro Cirne Albuquerque, Renato Kaufmann, Thais Lima, Thiago Blumenthal e Veronica Fantoni.

As ilustrações são de Thiago Thomé, que também assinou o projeto gráfico ao lado de Leo Malachias. Já a revisão ficou por conta de Thiago Blumenthal, que foi o revisor dos nossos dois livros.

 

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Em homenagem ao lançamento, publicamos aqui no site dois textos relacionados: uma lista com músicas com diferentes abordagens sobre o tempo, a 15 Músicas Para Passar o Tempo, por Débora Cassolatto, e o ensaio Identidade e Finitude, de Daniela Antoniassi.

Em breve, vamos começar a publicar os textos do fanzine também aqui no site — um novo texto a cada semana — de forma que, ao longo de pouco mais de 5 meses — quando possivelmente estaremos lançando a próxima edição — todos os textos estarão disponíveis por aqui para quem não conseguir seu exemplar físico.

Atualmente, o fanzine está à venda na Banca Tatuí (Rua Barão de Tatuí, 275, Santa Cecília, São Paulo). Em breve, teremos também venda online e em outros pontos físicos. Quem tiver dificuldade em encontrar, é só nos escrever: falecom@confeitariamag.com

Escolhemos aqui um pequeno trecho de cada um dos textos para mostrar um pouco mais do fanzine para vocês:

 

“Em última instância, é sempre tão curto o intervalo em que duas ou mais existências têm a chance de verdadeiramente se tocar.” — Fabiane Secches em Apresentação

 

“Se eu tivesse que apontar apenas um motivo pelo qual amo crianças, diria que é pela imaginação. Não tendo atingido ainda a complexidade de pensamento dos adultos, ao mesmo tempo em que tiram conclusões simples, elas estão abertas às mais diversas possibilidades.” — Flávia Stefani Resende em Na Mosca

 

“O tempo passou e com ele eu aprendi que as mulheres não são minhas inimigas, que eu não preciso competir com elas e, principalmente, que não existo para agradar homem. Que coisa maravilhosa é saber disso. Que pena ter demorado tanto para aprender.” — Clara Averbuck em Tamo Junta

 

“Ela ergue o saquinho que contém 1/10 das cinzas do marido. Vai jogar as dez partes que restaram do corpo dele em dez lugares bonitos. Lugares que ele teria gostado de ir.” — Alessandra Nahra Leal em Convite

 

“Se todas as células do nosso corpo se renovam em média a cada sete anos e se todos os nossos conhecimentos e lembranças não passam de rastros de conexões sinápticas, o que o eu que sou hoje guarda do eu que fui dez ou vinte anos atrás?” — Daniela Antoniassi em Le Passé

 

“Talvez ele ainda volte, para me cobrar pelo fato de eu não ter buscado ajuda, ou apenas para me mostrar que algumas lembranças não desaparecem com o tempo.” — Francine Bittencourt em Pirulito

 

“Cada minuto é um minuto a menos.” — Thais Lima em O Fim do Mundo

 

“Quando a paixão pelo mundo morre, morre um pedaço da gente.” — Fabricio Teixeira em Do Que Faz o Tempo Parar

 

“As feições que beijamos, os países em que habitamos, os mortos por quem nos enlutamos nada mais são do que aquilo que nos faz desejar amá-los, viver neles, temer perdê-los.” — Thiago Blumenthal em Intermitências do Coração

 

“Ler Proust é apertar o gatilho para uma viagem interior, que nos bota a pensar em escrever nossa biografia. De repente, estamos deitados ao seu lado, rumo a uma terra incógnita em busca de nossas próprias experiências, agregando substância ao tempo em que vivemos. Passado e presente enrolados feito fio de um fone de ouvido.” — James Scavone em Em Busca de Tempo para Ler

 

“Mais do que uma abstração, algo que a gente enxerga pelos numerozinhos do relógio ou numa variável em um cálculo de velocidade, algo invisível, insípido e inodoro, o tempo é físico. Tão físico que se pode ter e perder. Dizem até que ele pode ser entortado.” — Aline Valek em É Tempo que Passa

 

“Entre tantas coisas que o Professor Calendário tentou me ensinar, tem uma que me dói não ter aprendido: esquecer.” — Pedro Cirne em Folha de Sulfite

 

“Todo mundo reclama de que precisa de mais tempo, mas ele passar assim tão depressa não quer dizer que estamos nos divertindo?” — Jan Bitencourt em Pedido de Tempo

 

“Tudo que você sempre quis. Tudo que você perdeu. Tudo que era tarde demais. Tudo que você achou que já era seu. Tudo que então parecia impossível. Tudo que você apostou errado. Tudo que ficou importante só depois. Tudo que você se arrepende de ter feito. E de não ter feito. Tudo que você faz caretas de vergonha quando lembra.” — Renato Kaufmann em Onde o Tempo Perde o Sentido

 

“Tempo, esse ‘senhor’ que decide quando e como tudo acontece. Quem deu esse poder a ele, afinal? ‘Dê tempo ao tempo’, ‘só o tempo pode curar’. Ora, se não é possível ter livre arbítrio para levantar e resolver tudo de uma vez?” — Carolina Lancelloti em O Tempo Além das Horas

 

“Temo a cidade cheia de individualismo e a falta de tempo. Temo o tempo. A falta e a demasia.” — Ana Paula Magalhães em Ver

 

“Tem dias que eu peço ao tempo pra andar devagarinho. Em outros dias, eu quero que ele corra depressa, mas nem adianta ter pressa, o tempo do tempo é um só e ele não tem dó.” — Veronica Fantoni em Tic Tac

 

“No seu passo certeiro, o tempo começa e encerra histórias. E ora, o que são histórias senão a matéria-prima da verdade humana?” — Ana Paula Rocha em Antes e Depois

 

“Somos coabitantes de toda alteridade. Nascemos com a possibilidade de amar qualquer astro ou qualquer besouro. Nascemos, principalmente, com a capacidade de amor o outro, nossos diferentes e quiçá até Deus.” — Artur Benchimol em Se Estamos Juntos

 

“Você já está em casa, pare de tentar voltar para casa. E também para as calças, rotinas e contas. Uma das formas de voltar para casa é aceitar que estamos em casa.” — Juliana Cunha em Má Fase

 

“Olho mais uma vez para os lados. Olho mais uma vez os ponteiros no meu pulso. Dizem tranquilamente que o tempo passa, para, voa. Mas quem passa, para ou voa somos nós. E de tranquilo isso não tem nada.” — Liliane Prata em Esperando

 

“Vamos perder o contato?/ Já que não há motivo para mantê-lo/Por meio de encontros e recados/Se a cada dia acordamos outro/E não vamos manter nem em sonho/ Nosso outro de ontem.” — Ana Guadalupe em Vamos Perder e Retomar o Contato

 

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O lançamento aconteceu na galeria + bar/café Warm, que fica em Pinheiros, e teve a participação do Move Institute e da Food, de Helena Sasseron.

Alguns autores, colaboradores e amigos estiveram por lá para comemorar com a gente, como mostram as fotos abaixo. Para ver o álbum completo, clique aqui. As fotografias são de Analice Diniz.

 

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