Clarice e Eu
Textos

26 de abril de 2012

Clarice e eu

Estou lendo Correspondências, um livro que reúne cartas trocadas entre Clarice Lispector e diversos nomes importantes, como Manuel Bandeira e Lygia Fagundes Telles, além de familiares e amigos pessoais.

Tem sido uma experiência interessante conhecer Clarice “ao contrário”. O livro para mim é como se fosse uma história. Fico imaginando as cenas, adoro quando chega carta nova para a “personagem”.

De Clarice, li apenas Água Viva. Mas, acredito que quase todo brasileiro se sente um pouco íntimo dela.

Correspondências me acalma e me deixa nostálgica. Geralmente, leio em momentos de espera, como hoje de manhã, quando aguardava o ônibus. Só que esperar pelo ônibus, na roça, tem um clima diferente. Só há você e o vento soprando na estrada. E você o avista vindo lá do fundo, com toda calma… enquanto isso, dá para terminar a última frase que estava lendo.

Todo esse cenário, junto com Clarice morando em fazendas e, depois, mudando-se para a Itália dos anos 40, me deixou com vontade de voltar no tempo. Porque não adianta nada morar numa chácara e ter um notebook ligado o tempo inteiro. Porque não adianta nada morar no campo e ter que abandoná-lo durante a maior parte do dia para se estressar na cidade.

Clarice também me trouxe de volta a vontade de escrever cartas. A última deve ter sido há uns 6 anos. Gosto de cartas longas, longos emails, longas inboxes. Longas conversas.

Talvez não haja mais necessidade de colocar palavras num papel, mas ainda há de exercitá-las e lhes dar um tempo para serem lidas, absorvidas e, então, finalmente respondidas. É preciso dedicação, amor e calma, para degustar palavras na nuvem virtual.

É preciso res-pi-rar.

Carolina Lancelloti
Leia mais textos de Carolina aqui.