Textos

01 de julho de 2014

Supernova

Observo as estrelas e sinto-me pequena diante do cosmos — e menor ainda, menor ainda… até quase sumir. E penso que somos todos poeira que mal vai fazer falta ao deixar de existir. Quase me entrego à essa ideia, atraída pela ausência de luz. Quase me deixo ir… Mas aí você me puxa, gravidade de volta ao chão. Brilho distante, mas que me floresce em um novo despertar. Há nova vida no ar!

Ah, essa falsa mansidão, esse buraco negro profundo que engole todo o mundo em quietude… Prefiro viver! Aguardo ansiosa e em silêncio aflito cada hora passar. Saturno me gira em seus anéis enquanto eu descubro que em breve vou mergulhar num doce mar de lágrimas, logo ali, depois da escuridão da toca do coelho branco. É só me equilibrar.

Dar tempo ao tempo e me preparar pra sentir. Estamos quase lá, no começo da aventura sem fim.

De olhos bem abertos, livre pra sentir! Há um universo em expansão dentro de mim, que não sabe por onde, mas deseja sair.

O buraco negro aos poucos se afasta e sinto que vou sempre voltar, nunca partir.

Prefiro ser supernova. Prefiro explodir. Em vida e cor.

Carolina Lancelloti
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