Textos

09 de outubro de 2013

Eu não sei escrever sobre o amor

Eu não sei escrever sobre o amor. Vamos, pergunte a qualquer um que já tenha lido meus textos! Se por um lapso eu tiver apagado da memória algum par de palavras românticas escritas por estes dedos, pode ter uma certeza: elas são péssimas. Não devem rimar lá com cá, menos ainda seriam inspiradoras, dignas de leitura por algum grande amor. Está vendo? Até assim, dizendo que não sei falar sobre o amor, soo piegas!

Lembro que na escola eu era uma baita de uma CDF. Não contente em fazer redações sobre minha cidade ou a surpreendente natureza humana, eu escrevia poemas, para alegria das professoras e chacota dos coleguinhas. Se estiver duvidando de mim, “ah, você já deve ter escrito sobre o amor”, e quiser revirar meus escritos pueris, vai se certificar do que estou dizendo. Necas de poesias romantiquinhas. Você vai rir até doer a barriga de um poeminha sobre azaleias – eu costumava ser criativa na escolha dos meus temas -, mas no fim vai dar com os burros n’água.

Prefiro cócegas, sorrisos sinceros e declarações estapafúrdias sobre como meu dia fica insosso quando não sei nada sobre o seu. Declarações melosas, digo, amorosas, ainda bem, não fazem nosso tipo, concorda? Nossa rima é amor com humor. É esse sorrisão aí no seu rosto cada vez que faço alguma piada involuntária ou erro o passo da dança que você improvisa. A gente não precisa procurar nuvem em nosso céu de brigadeiro. Por falar nisso… trouxe o chocolate em pó que pedi?

Cinthia Pascueto
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