Textos

17 de março de 2014

O romance e o protagonismo das mina

Me cansa bastante ver as pessoas criticando a produção de mulheres com temática romântica. Já é difícil criar, já é difícil escrever, já é difícil conseguir transpor as barreiras do preconceito de ser mina. Tudo é difícil. Quando um homem produz algo com essa mesma temática, ninguém questiona a qualidade, ninguém diminui. Todos ficam maravilhados com a sensibilidade do artista. Quando é feito por uma mulher, é, bom, “coisa de mulherzinha”. Meio ridículo, não?

Se eu acho que a nossa produção não deve girar em torno de relacionamentos? Eu acho que a nossa produção deve girar em torno do que a gente quiser, desde que o protagonismo seja nosso. E é claro que temos que debater o assunto, especialmente quando se trata de literatura. Como há escassez de protagonismo feminino, tanto de escritoras quanto de personagens que não sejam coadjuvantes de homens ou que não busquem a redenção no amour, é ótimo que a gente converse sobre isso, mas sem reprimir a coleguinha na produção dela, que, afinal de contas, é dela.

E tem outra coisa: mesmo dentro da temática do amor romântico dá pra transgredir. Dá pra sapatear na cara do amor romântico. Foi o que eu tentei fazer no “Forever and Never”, que eu nem sei definir. São umas prosas poéticas fragmentadas, que virarão quadrinhos nas mãos da Sirlanney. Foi o que tentei: desconstruir o amor romântico, pois ele não vai se desconstruir sozinho.

Espero que tenha conseguido.

 

* Imagem: Sirlanney para o “Forever and Never”.

Clara Averbuck
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