Autores convidados, Cinema, Resenhas, Textos
Thaís Helena Marques
15 de abril de 2014

Melancolia

Começo compartilhando com vocês a minha experiência com qualquer obra de arte e, portanto, também com os filmes de Lars von Trier. Eu não desejo e nem pretendo absorver o artista, compreender ou explicar o que ele sente e o que fez, mesmo porque é impossível para qualquer um apreender a verdadeira profundidade de um artista e de sua obra.

Há uma história contada sobre Picasso que é mais ou menos assim: ao lhe perguntarem sobre sua “procura”, ele respondeu com precisão e argúcia (obviamente irritado com a pergunta): “Eu não procuro, eu acho!”. Portanto, eu me senti convidada por Lars a sentir, sentir e sentir e essa experiência é quase que universal no confronto com a arte.

Embora a função das imagens seja a de expressar a própria vida e não os conceitos e as reflexões sobre ela, o que farei a seguir é apenas dar o meu depoimento, que foi articulado a partir das muitas sensações e emoções que tive, mas sem nenhuma outra pretensão. Acredito que através das imagens, com precisão e, muitas vezes, simplicidade, a vida é observada.

“Melancolia” (Melancholia, 2011) tem a marca registrada dos filmes de Lars.

Primeiro, um prólogo com cenas esteticamente lindas em slow motion cuidadosamente dirigidas por ele, formando uma série de imagens deslumbrantes à maneira de sonhos, visões e fantasias, que se apresentam em movimentos lentíssimos, quase estáticos que praticamente sintetizam o roteiro. Lars me parece ter pontuado isso especialmente pela imagem do relógio de sol de jardim que, dentro de um clima denso, aparece como se estivesse parado ou num tempo mais estendido.

As imagens de paisagens naturais, como florestas, lagos, borboletas, pássaros caindo do céu ou um cavalo negro tombando na grama, até atividades das personagens, como Justine (Kirsten Dunst) vestida de noiva tentando se mover (apesar de um emaranhado de lã cinza que a prende) e deitada na água ou a tentativa de fuga de Claire (Charlotte Gainsbourg) com seu filho Léo, todas essas cenas me dão a entender o fim das coisas, o fim de tudo, o vazio e a ideia da morte parece se movimentar lentamente. Todas as imagens serão lembradas por muito tempo, assim como o som da ópera “Tristão e Isolda”, de Richard Wagner, que as acompanha. Está aí esteticamente muito bem situado o paradoxo entre a beleza e a catástrofe, o sentimento de absurdo, talvez o sentido mais autêntico da vida.

Depois, outra marca registrada é sua própria concepção de mundo sempre presente em todos os seus filmes e que exerce uma espécie de função social ao nos apresentar, por meio da experiência estética, às mazelas da vida e a toda nossa precariedade mental para lidar com elas. Assim, em “Melancolia”, ele me parece denunciar a insensatez do humano: o imediatismo que tenta eliminar inteiramente as forças naturais que causam sofrimento e todos os aspectos renegados da existência que a mente gregária — pois somos animais gregários que, fundamentalmente, vivem e pensam em bandos — tanto rejeita.

Lars produz um cenário bem delimitado onde toda a estória se passa: um luxuoso castelo com um campo de golfe de 18 buracos. Trata-se da tentativa de sustentar a ilusão de felicidade, universo no qual as aparências e a propaganda é parte essencial. Para tanto, todos devem desempenhar um papel e precisam seguir um protocolo composto de regras e incessantes treinamentos como num jogo de golfe: cada tacada (festa de casamento) precisa ser calculada para atingir um objetivo (ser feliz).

A vida dos personagens está restrita a esse cenário, não se sustenta além dos 18 buracos. O décimo nono buraco aparece no final do filme além desse cenário e não foi possível escapar por ele. Também faz parte do cenário a ponte intransponível: a escuridão e o abismo do próximo momento. Nada nos garante que possamos passar para o próximo momento, exceto nossos sonhos. Lars nos apresenta, de modo inexorável, que a aventura humana terá um fim.

Ele deixa isso muito bem assentado, com a personagem Justine, que não consegue cumprir com o protocolo, pois acolhe o componente mental renegado do humano; tem a disposição e a determinação da sua natureza para o sentimento de absurdo, para o sem sentido da vida, como uma espécie de visão de mundo. E ainda mais, Justine está ligada, de maneira sensível, a esse modo de ver o mundo. É possível perceber o peso que carrega e que a torna cansada e sem forças para fazer brotar as ilusões mais simples e tão necessárias à continuidade da sua existência. Não consegue se alimentar, pois a comida tem gosto de cinzas, nem erguer a perna para entrar na banheira quando a irmã tenta ajudá-la a se banhar. Na cena em que está saindo do táxi que a levou até a casa da irmã, permanece de olhos fechados, vergada pelo peso da verdade de que não há salvação. Qualquer outra ideia era para ela ilusória. Parece saber que está sozinha e que sua própria existência humana deve ser fruto do acaso, assim como o acaso vai fazê-la desaparecer.

Justine tenta, quando pode, vazar pelas brechas do cenário imposto a ela. No inicio do filme, quando o momento do discurso se torna uma violenta disputa entre os pais e ela, entende que ninguém vê ninguém e ninguém a vê, sai para se arejar no campo de golfe de carrinho elétrico. Ao sair do carrinho, seu vestido se enrosca nele e ela o puxa até rasgá-lo e, como que se rendendo à sua natureza, urina na grama contemplando o planeta.
Ao longo do filme, fui sendo capturada por seu olhar distante que, para mim, sintetiza sua percepção do sem sentido da vida. Cheguei ao ponto de formular o imponderável: quem de nós nunca imaginou que, há momentos na vida em que faz sentido não ver sentido na vida? Quem de nós nunca experimentou esse sentimento de absurdo?

Lars parece centrar seus esforços em torno dessa questão contrapondo à Justine outras personagens com visões de mundo muito diferentes e para os quais as ilusões têm que ser ativamente produzidas na vã tentativa de cada um se ajustar perfeitamente à vida e alcançar a felicidade. Todos eles têm um projeto de vida individual — verdadeiras produções — no qual tentam incluir Justine.

Essas produções se dedicam a tentar recobrir um espaço na mente ou um tempo mental livre, como que obedecendo a um horror ao sentimento de vazio, de ausência de sentido da vida. Vários cenários individuais aparecem e vou falar sumariamente deles para depois adentrar, de forma aleatória, nas principais ideias do filme. Desculpo-me desde já por não conseguir me ocupar de tudo que gostaria, porque o filme é demasiadamente denso.

O pai (John Hurt), com ironia sarcástica, tenta romper os protocolos que se impõem acima de tudo, mesmo nas brincadeiras — à mesa, faz uma brincadeira de mau gosto com um garçom escondendo as colheres. Chama todas as mulheres de Beth, inclusive Justine, pois para ele tanto faz, todas são a mesma coisa. A mãe (Charlotte Rampling), comprometida com a tarefa de denunciar a verdade fervorosamente, vive uma lucidez cruel. John (Kiefer Suntherland), marido de Claire, é sujeito bem adaptado que, num ritual frenético, tenta constantemente dispensar a lucidez horrorosa, e isso é pontuado em vários momentos — quando Justine vê o planeta Melancolia, ele diz a ela que é Antares; no momento em que quer fazer um tipo de acordo burocrático explícito com Justine (“Você deveria estar feliz!”); quando junta as roupas da sogra e coloca para fora da casa; quando insiste em afirmar que os cientistas estão certos quanto ao fato de que Melancolia estaria se desviando da Terra e, finalmente, com o suicídio.

Claire tenta manter o cenário principal a todo custo — festa de casamento —como um roteiro para felicidade e, quando ele se rasga, ela invariavelmente arrisca costurá-lo dizendo que às vezes odeia muito Justine ou lhe oferecendo bebida como anestesia, na tentativa de retomar o projeto na medida em que o cenário vai se esfacelando. Léo (Cameron Spurr) é a criança capaz de sustentar a observação do horror do começo ao fim do filme. Ele pode brincar e cria um instrumento precário, embora intuitivo para observar o planeta. Quando tem medo, nutre a esperança de que a tia seja invencível, pois é capaz de construir sonhos, construir (cabe construir?) uma caverna mágica onde se esconder para escapar dos projetos impostos. Michael (Alexander Skarsgårdé o marido que planejava uma vida que seguisse os dogmas do que seria casar-se, ter filhos e envelhecer junto com a esposa, sentados ao pé de uma macieira.

O cerimonialista (Udo Kier), que produz as mentiras fiscalizando-as, em vão, para que tudo transcorra conforme o roteiro programado. Ele passa por Justine dizendo: “Ela arruinou o meu casamento, não olharei mais para ela”. Quando todos vão para fora brindar e escrever seus votos aos noivos nos balões, continuando o cerimonial do casamento, o único balão que não sobe e pega fogo é o do cerimonialista. Ele não conseguiu sustentar a festa inflada e o projeto de uma festa magnífica cai por terra.

O rapaz (Brady Corbet) que é trazido pelo chefe de Justine, protótipo da condição humana manipulada, que se submete a tudo e a todos, pois não é formado em nada, e não sabe nada, tendo que, por isso, perseguir Justine em busca de um sentido (slogan) que tem que extrair dela para ser contratado e receber um salário. O chefe (Stellan Skarsgård) é um manipulador que exige de Justine a produção de um slogan e que tenta atrelá-la pela culpa, oferecendo-lhe um cargo melhor. No final da festa, Justine, cansada de suas investidas, oferece a ele um slogan irônico vendendo ele mesmo ao público. Diz: “Nada é o bastante para você! Homenzinho desprezível e egoísta! Não tenho palavras para descrever você e sua firma!”. O mordomo (Jesper Christensen), paizinho que, amoroso, acolhe o estado mental de Justine, recolhe a lucidez horrorosa de sua mãe de volta à casa (suas roupas) e prepara as acomodações, para que o pai possa estar com ela mais um pouco.

“Melancolia”, como entendo que Lars nos apresenta, diz respeito à determinação da natureza para uma visão sobre a vida na sua totalidade e não a uma questão particular, um acontecimento pontual ou uma novidade assustadora. Ele não nos apresenta a patologia, mas um estado mental, uma determinada disposição para ver a vida e todas as coisas com acuidade de percepção. Embora essa não seja uma visão de mundo iluminada pelo sol, mas pelo planeta das trevas, é com extrema lucidez que Justine encarna esse papel e reconhece tanto a beleza da natureza humana quanto a evidência da miséria e da finitude dela: o caos da simultaneidade.

Isso está em conformidade com a cena em que Justine, cansada, sai no meio da noite e se despe ao relento para se banhar sob o fulgor do planeta avassalador, sob a lucidez da beleza e da tristeza pela natureza humana. Essa atitude a coloca em consonância com a visão de mundo na qual se reconhece e também a coloca em harmonia com esse inexorável caos da simultaneidade, em que o sentido da existência humana esteve, para ela, desde sempre mergulhado.

Igualmente está em acordo com essa visão de mundo a cena inicial do filme em que a limousine tenta, em vão, levar os noivos até o local da cerimônia do casamento. Ironicamente é apresentada a desproporção da enorme limousine em uma estrada de terra muito estreita, confirmando o caos que o projeto de felicidade, oferecido por sua irmã Claire e seu cunhado John, sujeitos bem adaptados à vida, já instalara na frágil existência de Justine.

Pude sentir que, de alguma forma, ela fazia um grande esforço para seguir pelo caminho oferecido pelos que queriam que ela fosse feliz, entretanto parecia saber que não a levaria a nada. Nestas cenas iniciais do filme, embora seus lábios esboçassem um sorriso, os olhos denotavam uma ausência dolorosa. Como com a limousine não foi possível, esforçou-se para chegar à cerimônia andando. No entanto, antes de entrar no local da cerimônia, foi visitar seu cavalo negro e chamou-o de “meu amante”. Para fugir do artificialismo e da ausência de autenticidade da vida, encontra amparo em seu cavalo favorito Abraham, o pai da humanidade, e em seu sobrinho Léo que, ao longo do filme, trata-a carinhosamente de tia Invencível.

Estas cenas denotam que, quanto mais uma imagem corresponda à sua função — um vislumbre da verdade que nos é permitido em nossa cegueira — mais impossível se torna limitá-la à nitidez do intelecto ou restringi-la aos nossos dogmas. Segundo Dostoievisk, “a vida é mais fantástica do que qualquer fantasia”. Portanto, creio que retiramos nossas fantasias da própria vida. Lars fez isso por nós!

As imagens também mostram que as outras personagens, as bem amoldadas, estão absorvidas e atribuladas com os afazeres e suas utilidades, com sua visão de mundo e seu dogma mais importante, projetar a felicidade de Justine para que não comprometa a aparente felicidade delas. Não gostam de se demorar em nada e tudo as apressa; vivem atrás de uma esperança/delírio qualquer. Apartada da melancolia, da visão de mundo de que nada adianta, não adianta fazer nada, nada tem sentido, Claire só se aproxima minimamente desse estado mental na segunda metade do filme, na medida em que não pode mais negar a inevitável percepção da verdade, de que tudo há de morrer um dia.

Justine, por sua vez, não encontra nada que lhe interesse ou que lhe seja indispensável e, talvez por isso não se demore em nada, a não ser nesse seu estado mental. Durante toda festa, ela trava uma espécie de luta contra o sentimento de total ausência de esperança — que nada tem a ver com desespero — e de recusa contínua pela vida — que não deve ser confundida com renúncia. De posse da consciência do trajeto do planeta Melancolia, numa conversa com a irmã, Justine diz para ela num momento de desespero de Claire: “A terra é má e não é preciso sofrer por ela, ninguém vai sentir falta dela. Estamos sós! Eu sei disso tanto quanto sei que havia 678 grãos de feijão no pote”.

Ela sabia que a natureza não faz concessões e que a natureza humana é pautada pelas necessidades. Há a contraposição de um tipo de saber intuitivo que não é explicado nem sustentado por nenhum conceito ao conhecimento científico (Claire havia dito ao cerimonialista que intuir a quantidade de feijão no pote era incrivelmente trivial). Possivelmente, Justine tinha a consciência de uma verdade que não necessitava de cálculos ou explicações, tanto que ela própria tornou-se a verdade. Ela sustenta o sofrimento de conhecer sua trajetória trágica, o trajeto humano até o seu próprio fim.

E o tempo fica alongado na percepção da sua verdade, a de que o tempo nos arrasta e exerce sobre todos nós seu efeito. Tenta em vão ultrapassar esse período de longa duração, ficando o máximo de tempo que pode na festa, mas em cada tentativa encontra-se novamente com o vazio do sem sentido que lhe causa enorme dor mental.

Num determinado momento da festa, Justine simplesmente foi tomar um demorado banho de banheira enquanto todos esperavam. Num outro momento, quando é carregada ao colo pelo marido até o quarto das núpcias, deixa-o lá e vai para o campo de golfe onde, sem uma palavra sequer, faz sexo com o rapaz, até então, desconhecido. Ela me parece não ter nada a perder e nada do que faça ou não faça tem o poder de alterar o significado que a vida tem para ela, sua disposição fundamental para o sem sentido da vida.

Creio que o estado mental de nada ser interessante ou importante para ela seja análogo ao que eu compreendo a referência de W. Bion a respeito de um sentimento humano bastante fundamental e difícil de suportar: o sentimento que temos de ser inteiramente sós e, ao mesmo tempo, dependentes. De qualquer modo, ficou clara para mim a ideia de que, para ela, às vezes, era fácil ser ela mesma: quando ela pensa o pior e o pior está para acontece, ela se traduz, nesse contexto ser ela mesma é fácil. Nesse momento, ser ela mesma é exatamente o necessário para estar viva.

Exceto Justine, as outras personagens, pessoas ponderadas e amoldadas à vida, entendem o fenômeno da melancolia como patologia médica ou variação fugaz do humor e não consideram a possibilidade dele ser fundamental para compreender o que é se sentir humano. Vivem numa espécie de urgência que os coloca na busca constante de fazer algo de útil e que lhes traga ótimos resultados, tal qual o trabalho ingênuo e monótono das máquinas.

Há no filme um momento divisor em que Claire leva Justine para a biblioteca onde livros de arte estão abertos nas prateleiras, mostrando pinturas contemporâneas com imagens abstratas e conceituais. Tenta convencê-la de que ela não estaria se esforçando o suficiente para ficar feliz e afirma que Michael tentou falar com ela, em vão, a noite toda. Justine reage dizendo-lhe que quer a festa e que está tentando sorrir, sorrir e sorrir. Claire, irritada, sai, deixando-a sozinha. Justine, então, num impulso de indignação e com ironia, começa a folhear os livros um a um, à procura de trocar aquelas imagens por outras que não denotavam nenhum indício de que a vida possa ser outra coisa que miséria, tristeza e morte. Parece-me que é isso que representam os quadros David com a cabeça de Golias, de Caravaggio, Ophelia, de Millais e também o prelúdio de “Tristão e Isolda”, de Wagner. David foi um pequeno homem que venceu Golias, mas não conseguiu vencer as tentações da carne. Ophelia viu na morte a única esperança de vida, Tristão e Isolda ambos morreram de amor. Curiosamente, Tristão, não podendo se casar com a Isolda que amava, casou-se com outra Isolda. Esses elementos da arte, escolhidos por Lars, nos dão a entender que o ser humano não consegue estar imerso na sua natureza, frente às urgências de cada momento.

Claire tenta negar as evidências dos acontecimentos para manter o roteiro de felicidade. Cobre o corpo de John de feno e solta o cavalo selado para que pareça que ele foi à cidade. Apesar de todas as evidências, tenta mais uma vez observar o planeta pela lente da intuição através do instrumento feito pelo filho. Desesperada com a verdade insuportável, ainda arrisca, em vão, fugir para um lugar seguro com Léo, mas não passa dos 18 buracos do campo de golfe.

Muito embora não haja nenhum interesse nem urgência para Justine, ela é cobrada disso o tempo todo: pela irmã Claire; pelo cunhado John que lhe chama a atenção para o que ela pode perder e diz que, o que ela faz é de propósito; pela mãe que a aconselha a deixar de sonhar; pelo chefe que, durante a festa, exige dela um slogan imediato para uma nova campanha da empresa, pelo pai que lhe deixa um bilhete de despedida chamando-a de Beth. Muitas vezes sua reação a isso é um misto de indiferença e tristeza. Outras vezes reage com ironia. Denuncia ao patrão o desejo frenético dele para encontrar a felicidade e o jogo mortal das aparências que emprega para atingi-la. Também aponta para Claire sua descrença no modo certo para lidar com a verdade insuportável, um protocolo que ela lhe propõe seguir para quando o planeta colidir com a terra: ficarem juntas na varanda degustando uma taça de vinho. Justine a ironiza dizendo-lhe que poderiam também ouvir a nona sinfonia de Beethoven e que “acha seu plano uma droga”.

As cenas finais do filme me parece juntar os elementos que caracterizam a concepção de mundo de Justine e o estado mental que a sustenta: a precariedade das varetas (efemeridade, fragilidade e impotência da condição humana frente ao trágico) que apoiam uma caverna feita de sonhos (a própria existência humana), mas que os torna invencíveis, isto é, os mantêm vivos até o fim de si mesmos.

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Assista ao trailer aqui.

 

Thaís Helena Marques é uma dos Autores Convidados da Confeitaria.

Thaís gosta muito de trabalhar com psicanálise, sobretudo com a psicanálise contemporânea. Mantém uma relação estreita, quase fusional, com as artes visuais e a literária, fonte inesgotável de alimento para a mente.  A respeito de tudo o que observa tem sempre uma opinião, mesmo que ela seja a de que ainda não sei nada sobre o que observa.

 

 

Thaís Helena Marques
Autor(a) convidado(a) da Confeitaria convidado(a).