Textos

06 de janeiro de 2014

Nostalgia X Saudade

Nem sei se o Houaiss e o Aurélio concordariam comigo, confesso que não fui consultá-los. Peço licença pra eventual imprecisão e faço cá minha distinção pessoal entre nostalgia e saudade.

Saudades sinto de pessoas e lugares. À medida que caminho por esse mundão e encontro gente, vou me deixando e me fazendo, até o fim que é a morte.

Sou pessoas e lugares incrustados em um vazio que antes deles não existe. Caminho e coleciono saudade, saudade e mais saudade. Ou então sou saudade simplesmente.

Nostalgia, me parece, sente-se de um tempo passado e perdido. E nostalgia eu não tenho, de tempo algum. Nenhuma infância ou juventude me fariam querer voltar.

A vida é só um instante, sim, e, quando nos damos conta, ela passou. Mas a vida dura o que dura e o tempo que não nos sobra tampouco nos falta. Nosso tempo não é de mais nem de menos: é exato. E nosso tempo é esse.

Viver mais que a minha cota seria multiplicar minhas mortes. Viver menos, eu não quero. Não importa quantas e quão grandes sejam minhas dores, quero vivê-las todas. Quero minha vida toda, momento a momento, até exaurí-la.

Não sinto nostalgia alguma porque amo a vida assim, como ela é, finita e sem sentido. E, por amar a vida, quero viver, até morrer de tanta saudade.

 

* Imagem: Diego Torres Batista.

Daniela Antoniassi
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