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11 de maio de 2014

Dia das Mães

Em homenagem ao dia de hoje, a gente convidou algumas mulheres para escrever sobre as suas mães, contando o que mais admiram nelas, no que são mais diferentes e no que são mais parecidas.

Os depoimentos, sempre emocionantes quando o assunto é esse, você pode ler aqui:

 

Carolina Delgado, criadora do Say it Loud:

Mas é preciso ter manha,/É preciso ter graça,/É preciso ter sonho sempre… A força que nunca seca. Quando penso em começar a descrever minha Maria, só me aparece essa frase — junto com o título de melhor mãe do mundo, claro. Quando Rakim me olha nos almoços de sábado e diz: ‘tá bem delícia, mas a comida da bó é mais gostosa, né?’, eu só penso que a quantidade de carinho que vai naquele tempero não tem matemática que explique, e sorrio, e respondo: “com certeza, meu filho”. Dela eu herdei a mania de ter fé na vida. Uma fé inabalável. E a teimosia. E a cuidar dos meus. E a não ter medo (de quase nada). E a falar com as mãos. E a gargalhar em espaços públicos. Tem horas que o couro come, é que Maria acredita demais na realidade, e eu só consigo viver se for voando. Mas conto um segredo: desconfio que meus grandes voos só são possíveis porque tem ela lá embaixo, no plantão, em caso de queda livre. Mãe, só tinha que ser com você.”

Daniela Antoniassi, autora da Confeitaria:

“Minha mãe tem um monte de qualidades, das quais eu poderia falar por horas. Inteligente, ponderada, bonita, simples, engraçada, alto-astral, gosta de uma zoeira. Há uma característica dela, entretanto, que admiro especialmente, talvez justamente porque seja a condição que falta a mim. É sua capacidade de fazer as coisas serem fáceis, é sua maneira prática de ver a vida. É sua leveza. Isso não quer dizer que ela não sinta e não questione, mas o fato é que minha mãe sabe lidar com problemas e descomplicar as coisas como poucas pessoas conseguem nesse mundo.Comigo se passa o contrário: eu filosofo, eu faço digressões, eu dou a cada coisa uma dimensão profunda. Eu penso demasiadamente, eu sinto com intensidade, eu carrego muita dor. Sou pesada. Se a vida fosse um novelo de lã, eu seria alguém que emaranha o fio, que perde as pontas, e minha mãe seria alguém que desata nós, que desenrosca e desembaraça. Claro que aprendo com ela. Sobre como simplificar a existência e sobre muito mais. Foi com ela que aprendi a amar literatura, por exemplo. Hoje gostamos de ler os mesmos livros pra depois discutir sobre eles, gostamos de assistir juntas a filmes estranhos que meu pai detesta, gostamos de conversar sobre mil assuntos. E gostamos de simplesmente fazer companhia uma à outra. Minha mãe é uma puta companhia. É bom tê-la como mãe, mas bom mesmo é tê-la como amiga.”

Débora Andreucci, uma das criadoras da InspirationPage:

“Uma semana antes do dia das mães, há exatamente três anos, perdi o meu porto seguro, minha confidente, minha protetora, minha mãezinha. Todos os dias é como se fosse ontem, um buraco no meu coração e uma falta imensa que ela faz. É uma saudade eterna. Tenho sorte, hoje ela está comigo, todos os dias, o tempo todo, olhando por mim e me protegendo. Amor de mãe é pra sempre, aquele amor de alma e pensamento, do caminho que percorremos juntas, um amor que não acaba nunca.O que mais admiro nela: o bom coração e a boa vontade que tinha perante aos outros. No que mais somos diferentes: em eu não ter medo da solidão. No que mais somos parecidas: no jeito mais romântico de conduzir a vida.”

Giuliana Vaia, colunista da Pais e Filhos:

“Vera Ellen (na verdade é Lucia, mas uma amiga a rebatizou assim e eu gostei) é daquelas pessoas que chegam chegando, sabe? Todo mundo nota sua presença, não só porque os dois olhões verdes chamam a atenção pela beleza, mas também pelo que eles dizem. Dizem não, gritam, assim como ela. ‘Não é que eu falo alto, é meu timbre’.  Tá, mãe. Temos lá nossas diferenças, ela é toda caprichosa e organizada e cresci ouvindo ‘faça direito ou nem faça’. E eu nem fazia. Sou bagunceira de carteirinha. Não herdei os olhos verdes, mas graças aos céus herdei um pouco do seu senso de humor. Nisso somos bastante parecidas. Duas mal humoradas, porém sabemos rir disso como ninguém.”

 

Marcia Granja, criadora do Sonhos num Potinho:

“Foi na minha infância que minha mãe me ensinou a rezar. Tanto para agradecer o que eu tinha, como para afastar todos os meus medos. Eu me deitava, olhava para o teto e ficava imaginando como seria o mundo invisível onde vivem os anjos. Até o ponto que o meu amor pela reza e pela vibração que minha mente criava ao tentar enxergar algo, se equiparou ao amor pelos livros. Isso porque eu me sentava nos pés dela atrás do balcão da livraria em que ela trabalhava. Aquilo tudo me intrigava. E me causa fascinação até hoje. Agora, tentando escrever algo espetacular, concluí que qualquer esboço de homenagem que eu queira fazer não será o suficiente para suprir toda gentileza, respeito e coragem que ela me ensina a ter pela vida e pelo outro todos os dias. Porque a Dona Hulda é isso: doçura, tormenta, e uma tremenda generosidade. É para aquela que ligo todos os dias para dizer o quanto eu a amo, pois não importa aonde eu esteja. Somente ela sabe como meu coração bate por dentro.”

 

Tatiana Giglio, autora da Confeitaria e colaboradora do Update or Die:

“O que eu mais admiro na minha mãe é a sua capacidade de ser equilibrista. É que ela é mãe muitas vezes: minha e dos meus irmãos (só aí já são 4 vezes), além de ser mãe do meu pai, do gato e do cachorro… Vive equilibrando pratos. E ela sempre se dedicou mais pra gente do que pra si mesma. Tem generosidade maior que essa? Ela sempre foi a tia favorita dos primos, a irmã conciliadora, aquela que ilumina todo mundo, sabe? Vemos o mundo de ângulos diferentes, e acho que isso sempre pesa muito. As opiniões se chocam e acabamos brigando, porque, afinal, eu puxei a teimosia dela. Somos parecidas em tudo e em nada, ao mesmo tempo. Somos parceiras de alma: um olhar já basta para entender o que a outra quis dizer.”

 

* Imagem: da esquerda para a direita, estão as mães de Carolina, Daniela, Débora, Giuliana, Márcia e Tatiana.

Fabiane Secches
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