Textos

11 de outubro de 2012

Diferente e igual

Hoje me ocorreu que talvez seja mais fácil colocar algum juízo em quem não tem nenhum, do que tirar um pouco de quem tem demais. Talvez. Não posso dizer porque não é o meu caso.

No caminho para casa, encontrei a luz dourada do fim de tarde iluminado as árvores. Na calçada, um labrador caminhava com um menino quase do seu tamanho. Um pouco à frente, uma garota atravessava a rua apressada, com o cabelo voando e as bochechas vermelhas. Parecia blush. Parecia cinema.

As cores e formas e cheiros e sons que encontro lá fora às vezes me enchem de energia e vontade. Mas, em outras, me preenchem de modo completo e pesado. Então, preciso voltar para casa e ficar em silêncio, suspensa no escuro.

Não é a feiúra do mundo que me imobiliza. É a beleza.

 

* Esse é um trecho de um texto que escrevi em um blog tolo e secreto, em 2008. Reli hoje, por acaso, e me dei conta de quanta coisa mudou de lá para cá, dentro e fora de mim. Mas isso não. Isso continua exatamente igual.

* * Ilustração de Sandrine Kao.
Fabiane Secches
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