Textos

14 de agosto de 2013

Ilustração:
Thiago Thomé

Sofia Coppola

Eu devia ter menos de quatorze anos quando fui apresentada à Sofia Coppola – ela, que há muito tempo deixou de ser “a filha de Francis Ford Coppola” e é uma referência em si mesma. Nenhum dos seus longas tinha sido lançado, mas uma entrevista com Sofia conquistou minha atenção de imediato. A foto na revista, que mostrava sua beleza expressiva e elegância natural, também fez com que eu nunca mais me esquecesse dela.

Anos mais tarde, quando assisti ao seu primeiro longa, o ótimo drama As Virgens Suicidas, de 1999, fiquei estarrecida com o drama inspirado no livro homônimo de Jeffrey Eugenides — a feliz parceria com a atriz Kirsten Dunst voltaria a acontecer mais tarde.

Seu segundo filme é também um dos mais elogiados e a consagrou como cineasta: Encontros e Desencontros foi vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original e já é considerado um clássico do cinema atual.

Depois, Sofia embarcou em outra aventura: a biografia de Maria Antonieta, a jovem austríaca que se tornou Rainha da França. Seu Marie Antoinette é um dos filmes esteticamente mais poderosos dos últimos anos. Com seu breve e denso currículo, a diretora  demonstra versatilidade. Embora tenha um traço comum por toda sua obra – seu olhar sensível, sua postura crítica diante do óbvio e sua refinada alma cinematográfica – Sofia também é capaz de transitar em universos muito diferentes com a mesma competência: do subúrbio norte-americano dos anos 70 em seu primeiro longa para o cenário ultra-moderno de Tóquio no segundo, para depois partir para uma biografia polêmica, com toda a pompa que um grande filme de época tem direito, mas sob um ângulo completamente novo. Sim, Marie Antoinette conta a história da lendária rainha da França que ficou imortalizada pelos livros como o símbolo de frivolidade que levou a monarquia à decadência — e foi decaptada depois da Revolução Francesa. Mas, como se espera da cineasta, com sua leitura perspicaz da alma feminina, a sua Maria Antonieta é muito compreendida, e revela o seu lado humano. Esqueça a História tão quadrada que a crucifica: você será capaz de se sentir solidário a ela.

Seu penúltimo longa, Um Lugar Qualquer, foi novamente recebido com entusiasmo — recebeu o Leão de Ouro no Festival de Veneza como Melhor Filme.

Já as trilhas sonoras são um caso de amor à parte. Lindíssimas e, de certa forma, improváveis. Assim como a fotografia e direção de arte, que têm papel de peso para as histórias que Sofia deseja contar.

Sofia também se arrisca em clipes e filmes publicitários, como o vídeo em p&b  I Just Don’t Know What To Do With Myself, versão The White Stripes, com a modelo Kate Moss. E com os curtas criados para os perfumes Dior e para a H&M, por exemplo.

Nascida em 14 de maio de 1971, em Nova York, a taurina, já namorou os diretores Spike Jonze e Quentin Tarantino, e é mãe de duas meninas, filhas do músico Thomas Mars, da banda Phoenix. O casal continua prefere separar a vida profissional da pessoal tanto quanto possível e vive, na maior parte do tempo, longe dos holofotes.

Escrever sobre ela é inevitável pra mim. Sofia é uma forte referência desde sempre. Não apenas pelo seu trabalho como cineasta, mas também pela sua postura: ela parece transitar entre o privado e o público com sabedoria.

Sofia também já trabalhou como atriz e fez participações em filmes como O Poderoso Chefão e Star Wars: Episode I – tentativas não muito bem recebidas pela crítica. E, ao lado de Julie De Libran, diretor de design da Louis Vuitton, ela participou da criação da coleção Resort 2012 da marca francesa. De Libran resumiu o estilo de Sofia com a frase: “She has an effortless, casual chic”.

Amiga íntima de Marc Jacobs, Sofia já havia participado de uma campanha da Louis Vuitton ao lado de seu pai, em apoio ao The Climate Project. A foto de Anne Leibovitz é uma das minhas preferidas.

Quem, como eu, é fã de Sofia vai gostar de conhecer este perfil no Tumblr dedicado a ela. Vale a pena seguir para acompanhar momentos raros de uma das cineastas contemporâneas mais talentosas.

Agora vem aí o seu próximo longa, The Bling Ring, com Emma Watson.

Tendo acompanhado sua história até aqui, posso afirmar sem hesitar: quero estar lá para conferir os próximos capítulos.

 

* Imagem: ilustração e lettering de Thiago Thomé sobre foto de Sofia Coppola.

* * Este texto foi escrito para um especial do Update or Die em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Fabiane Secches
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