First Bad Man

O que aprendi com July.

Miranda July é uma artista da nossa geração. Assim como nós, ela carrega em si uma honestidade massacrante, que algumas vezes desperta sorriso, noutras um vazio inexplicável. Tem o nosso senso de humor, tem a nossa ironia, e até que tem uma rotina parecida com a nossa — sempre envolvida com projetos criativos, de tecnologia ou de arte.

Em seu novo livro The First Bad Man, Miranda cria uma protagonista só de fachada. Cheryl, a personagem principal, é nitidamente um espelho da própria autora, e fica difícil percorrer as deliciosas 288 páginas do livro sem misturar na cabeça quem é autor e quem é personagem.

O que aprendi com The First Bad Man (fique tranquilo, lista livre de spoilers):

• Que ter manias é algo totalmente aceitável, porém sempre incômodo — porém sempre aceitável. De perto, ninguém é normal.

• Que ter o coração aberto para aceitar e entender as pessoas é uma arte.

• Que é impossível não misturar criador e criatura. E ainda bem.

• Que amor não tem forma, idade, credo, formato ou passo-a-passo.

• Que as melhores histórias são aquelas que te dão tapas na cara em uma cena engraçada. Não é preciso ser pesado para ser triste, não é preciso ser sofrido para ser reflexivo.

• Que a vida nunca é o que a gente planeja para ela.

• Que eu tenho mania de colocar rostos de atores de Hollywood nos personagens dos livros que leio, e que não há o que faça eu “descolocá-los” de lá. Se mais alguém imaginar Kristen Stewart no papel de Clee, me adicione no Facebook depois de ler o livro — porque alguma coisa estranha a gente tem em comum.

• Que não importa o que o personagem faz e nem o quando, o que importa é o como. E o como é a melhor parte da história. É o que sobra quando a história acaba e você vira a última página.

• “If you were wise enough to know that this life would consist mostly of letting go of things you wanted, then why not get really good at letting go, rather than the trying to have?” (tradução livre da Confeitaria: “Se você for sábio o bastante para entender que a vida consiste essencialmente em abrir mão de coisas que você gostaria de ter, então por que não se tornar realmente bom em deixá-las ir embora no lugar de se tornar bom em tentar mantê-las?”

Fabricio Teixeira
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