Textos

24 de dezembro de 2012

Para meu nobre amigo

Ganhei a minha mochila faz alguns anos.

Estava indo fazer um mochilão entre Chile-Argentina.

Uma amiga ofereceu me emprestar a sua e eu, duro como sempre, aceitei.

 

Na volta, fui devolver e ela me disse:

“Fica com ela. Você vai fazer melhor proveito.

Essa sua jornada está apenas começando. E a minha, terminando.”

 

Ela se casou, é mãe de uma linda filhinha e quase não nos falamos.

Até hoje, não pude dizer que ela me deu um dos melhores presentes da minha vida.

Sempre que olho para a mochila, mesmo que tenhamos nos afastado, vem um sentimento bom, e eu lembro dela.

 

Enfim, depois de anos, eu gostaria de retribuir esse presente para outro amigo.

Por isso esse é meu presente de Natal para você.

 

Minha mochila e algumas doses de coragem vêm me acompanhando em todas as mudanças dos últimos quatro anos – e olha que não foram poucas.

Demorei para usá-la de verdade em viagens.

Mas, agora que comecei, não vou mais parar.

 

Como você sabe, passei os três últimos meses diretos com ela.

E ela é uma das melhores companheiras que a gente pode ter.

Com ela, você aprende que não precisa de muito.

Sua vida está toda ali. E, se você consegue sobreviver só com aquilo, por um determinado tempo, você está safo para levar bem a vida. Já diziam, com sabedoria: menos é mais.

Ali, na viagem, só você e ela, começa a dar valor para certas coisas, vê que consegue viver sem muitas outras. E não existe sensação melhor.

Você só tem uma dúzia de roupas, uma câmera, um fone, um passaporte.

E é mais do que suficiente.

 

Feliz Natal e boas viagens, meu amigo.

“A felicidade é a própria estrada.”

 

Vinte e quatro de dezembro de dois mil e doze.

Rio de Janeiro, Brasil.

Guilherme Nunes
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