A entressafra dos memes

A entressafra dos memes

Nissim Ourfali, Para nossa alegria, Luiza do Canadá, Larica dos muleke, ET Bilu, “Morre deabo”, Mamilos, Mataram a formiguinha, “Hoje é dia de rock, bebê”.

Para quem vive em outro planeta, a coisa acontece da seguinte maneira: alguém encontra ou produz algo engraçado para a internet, manda para seu amigo, que manda para seu primo, que manda para sua mãe, que manda para sua amiga, que posta no Facebook, que tem quinhentos likes e mil compartilhamentos.

Não que eu nunca tenha compartilhado ou morrido de rir com eles. Mas o grande problema é o tempo que um meme continua circulando, à exaustão, mesmo depois que a graça acabou. E as inúmeras vezes que ele é levado da vida digital para a vida analógica, de uma maneira vazia.

Luiza do Canadá voltou para o Brasil e ganhou rios de dinheiro, a família do “Para nossa alegria” foi parar em programas e comercial de TV. E os nossos criativos estão cada dia menos criativos. Acomodados nas facilidades desses virais.

Não percebemos que as melhores ideias estão em nosso dia a dia, não apenas gratuitas e disponíveis na internet. Numa conversa de bar com um amigo, num sábado de manhã no parque, numa ida ao cinema ou até num passeio com seu cachorro. O que não podemos é ter preguiça de pensar e acabar nos acostumando às piadas prontas e fáceis.

Como boa Social Media, um dia já reclamei: estamos na entressafra dos memes.

Hoje acredito que quanto mais tempo durar a entressafra, melhor. Mais exercitaremos nossa criatividade para além dos caminhos óbvios.

 

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