Textos

19 de março de 2013

Para ler Roth

Hoje, Philip Roth faz 80 anos. Pouco se espera de um octagenário a menos que você seja Papa ou escritor. Deve ser por isso que tanta gente se decepcionou com a sua anunciada aposentadoria das letras.

É claro que muitos dos que choram o abandono da pena, ainda têm livros de sobra do escritor para se entreter na cama ou na poltrona. Ele mesmo diz ter relido boa parte de sua obra no último ano. Ou seja, quem já leu a obra toda pode reler os títulos preferidos do judeu americano de Weequatic, Nova Jersey.

Aos iniciados e iniciantes, deixo aqui a minha lista essencial:

Adeus, Columbus. Tem adeus no nome, mas foi seu primeiro sucesso aos 26 anos. Em resumo: bibliotecário se apaixona por garota judia rica.

Complexo de Portnoy. Masturbação é divertido. O Roth ideal para quem gostou da série de filmes “American Pie”.

Pastoral Americana. O melhor livro da série com Nathan Zuckerman, seu protagonista favorito.

Patrimônio. Chorei três vezes nas vinte primeiras páginas e mais um tanto ao final do livro. Romance biográfico sobre os últimos anos de seu pai.

Operação Shylock. E não é que existe vida fora de New Jersey? As aventuras de Philip Roth e seu duplo em Israel. Pós-moderno, político e engraçado ao mesmo tempo.

Animal Agonizante. Talvez o meu favorito. Até mesmo o eterno conquistador se apaixona e se ferra no amor. Todo homem tem a sua Consuela. A versão cinematográfica, com Ben Kingsley e Penélope Cruz também é imperdível.

É isso. Como diria Leonard Cohen, basta escrever uma linha ou duas para se viver para sempre.

Parabéns, Mr. Roth.

 

* Texto escrito originalmente no Colherada Cultural, com ilustração de André Hellmeister.

James Scavone
Leia mais textos de James aqui.