Textos

03 de outubro de 2012

Um jogo que abre a poesia

Nuno Ramos esteve no Roda Viva de ontem e falou coisas muito legais sobre futebol. Claro que ele falou coisas legais sobre artes plásticas e literatura, mas quando chegou a vez do futebol foi especial. As mãos manchadas de tinta começaram a gesticular, as palavras saiam mais depressa.

Até eu, que tenho uma relação completamente blasé com qualquer tipo de esporte, fiquei entusiasmada. Para ele, o futebol é “um jogo católico, do tráfico de influências” e o mais bonito dos esportes por conta da disparidade entre o placar e o jogo em si. No futebol, jogadas bonitas nem sempre se traduzem em gols e a qualidade de uma partida não pode ser definida pelo resultado final. Para Nuno, esse é um jogo que “abre a poesia do mundo”.

Ele também falou que o futebol é o lugar onde o pobre fica rico e é por isso que há tanto patrulhamento em cima dos jogadores: se bebem, se treinam, se fazem valer o que ganham. Essa seria uma forma de “moralizar” uma situação que temos dificuldade em aceitar: a da mobilidade social radical. Ou seja, a possibilidade de uma pessoa sair de uma classe muito, muito baixa e ficar bem mais rica que nós, que trabalhamos, estudamos, insira aqui a ladainha classe média de sua preferência.

Ps: Ele começa a falar de futebol no minuto 1:00:00 do vídeo.

 

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Juliana Cunha
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