Literatura, Textos

18 de dezembro de 2015

Minhas leituras favoritas em 2015

O Ciclista, Walther Moreira Santos

Estou escrevendo ainda no calor pós-leitura. Esse romance entrou desde o primeiro parágrafo no meu rol de preferidos não do ano, mas da vida. Como uma Alice perdida num país sem maravilhas, como o autor escreve em uma passagem, o protagonista tem uma consciência aguda das loucuras dos nossos sentimentos, experiências e relações, ao mesmo tempo em que reconhece que faz parte desse novelo que nos acompanhará até nosso último dia. Uma leitura dessas que te atropelam.

 

Fico Besta Quando Me Entendem, Hilda Hilst

No livro de entrevistas, a poeta pauta suas respostas com queixas e desilusões, mas também com alegrias, esperanças e muitos detalhes de sua vida pessoal e profissional – a relação com os editores, a dificuldade para usar a palavra “marido”, as ambições como escritora…

 

Paixão Crônica, Martha Medeiros

Foi o primeiro livro que li este ano, ainda na praia, depois do réveillon. Ah, o que dizer? Adoro as crônicas dela e sempre levo um livro da autora quando vou à praia — ou para ler, ou para ler. Amo quando concordo, amo quando discordo e adoro conversar mentalmente com ela e reviver casos que já aconteceram na minha vida enquanto leio. Sempre está entre as minhas melhores leituras.

 

Persépolis, Marjane Satrapi

A primeira HQ que li no ano. Eu tinha amado a animação, fiquei com saudade e comprei o livro. O traço delicioso da autora e as impressões do complexo cenário do Irã que ela acompanhou desde a infância são muito envolventes.

 

Pagando por Sexo, Chester Brown

Uma HQ que li devagar para aproveitar mais. Na história, o ultra-racional autor-protagonista conta por que desistiu do amor romântico e passou a se envolver somente com prostitutas. É impossível não gargalhar com suas neuroses e seus pensamentos do tipo “o que eu faço agora?”.

 

Sabedoria do Nunca, Juliano Garcia Pessanha

Juliano é um filósofo e escritor único, que mistura um denso repertório acadêmico com uma sensibilidade raríssima. O livro, baseado nos seus diários, parte das angústias de sua biografia para falar da falta, do encontro e dos pavimentos frágeis que vamos fazendo a duras penas nos nossos buracos internos.

 

O Tao da Física, Fritjof Capra

O autor, que é físico, faz uma ponte entre a física e ideias/pensamentos presentes na sabedoria oriental – no taoísmo, no zen-budismo… Acredito que nem tudo nesta vida precisa do “atestado” científico para ser validado, até porque acho que o conhecimento racional não dá conta de toda a complexidade da nossa existência, mas, ao mesmo tempo, achei bem interessantes os paralelos entre conhecimentos tão distintos.

 

A Esquerda que Não Teme Dizer seu Nome, Vladimir Safatle

Tinha relido havia pouco tempo o Manifesto Comunista e resolvi ler na sequência uma obra atual sobre o pensamento da esquerda (ou das esquerdas). De tom de manifesto, o livro não tem nada — é, sim, uma reflexão pontuada por argumentos muito contundentes sobre o cenário político atual, as distorções e erros da direita e os erros da própria esquerda, que precisa promover mudanças em si mesma para saber governar.

 

A Redoma de Vidro, Sylvia Plath

Para mim, a protagonista é um exemplo daquele tipo de pessoa inteligente e interessante, dona de observações aguçadas sobre a vida, mas que não consegue negociar com o mundo a ponto de viver nele. Me atrasei para vários compromissos porque não conseguia largar o livro.

 

Frequência Vibracional, Penney Peirce

Quem me segue no Snapchat sabe que não faltam leituras (e meditações) heterodoxas na minha vida. Sabe energia, nova era, alinhamento vibracional, frequências de pensamento positivas, frequências negativas? A autora fala disso, e de extraterrestres, vidas passadas. Devorei e vou ler de novo, que ando precisando.

 

Melhores Crônicas, Rubem Braga

Tenho vários livros de crônica e poemas espalhados pela casa, e são ótimos quando quero ler alguma coisa, mas não sei o quê. Este do Rubem Braga tem aquela famosa crônica da folha de bananeira, que mostra bem como um texto pode ser delicioso mesmo não tratando de novos ou grandes acontecimentos, mas, pelo contrário, se atendo à beleza do microscópico, do detalhe.

 

Grande Magia, Elizabeth Gilbert

Faço parte do imenso público leitor do bestseller Comer Rezar Amar e devorei o Grande Magia, em que a autora fala com simplicidade e descontração sobre o fazer artístico. Muito inspirador para quem trabalha com criatividade — acho que todo mundo, de certa forma, certo?

 

* Imagem: Pictoplasma

Liliane Prata
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