Textos

12 de novembro de 2012

Ahh, brigada!

Eu adoro o meu aniversário. Assim, em negrito, que é pra enfatizar bem o tom propositalmente pueril do texto que você vai começar a ler.

Esse é o único dia do ano que posso dizer que é só meu. Natal não é, Dia da mulher tampouco e Dia do publicitário, pff. Mas esse não. Esse é um dia todo meu.

O irônico é que nesse dia eu não necessariamente faço as coisas que quero, já que a empresa não me dá a folga para aproveitar a alegria de ter nascido, aka, ficar deitada curtindo essa chuva.

E acho que é por isso que eu também gosto tanto de férias. É como fazer aniversário todo dia. Com a diferença de que as pessoas não te deixam recadinhos felizes no Facebook ou no celular, teu pai não te liga e te faz chorar de emoção e você não recebe abraços dos amigos. Puxa, como eu gosto de abraços! Adoro até mesmo aquele momento sem graça em que a pessoa te fala um monte de coisas e a sua resposta, abafada pelo abraço, só precisa ser “Ahh, brigada!”.

Quando fiz 21 anos, me dei conta de que meus amigos também estavam ficando adultos e adultos não dão presentes de aniversário. Eles te abraçam. Forte e demorado. E depois sorriem com os olhos como que dizendo “Não comprei nada, mas gosto muito de você”. Daí que, se a condição de ser adulto é essa, eu recebo contente todos os abraços de aniversário.

É hoje. O meu dia. Meu aniversário. Mas não falo disso pra alguém se sentir na obrigação de me dar um abraço. Eu não gosto de abraços fingidos. Eles estão ali, na mesma categoria das agendas, dos tapinhas nas costas e dos livros do Augusto Cury. Odeio ganhá-los.

Mas aniversários não. Esses eu adoro. Até o de 16 anos, quando uma tia velha me disse que a vida ia passar num piscar de olhos e quando eu percebesse já teria 21. Praga de tia. Quando fiz 21, odiei admitir que ela estava certa. A vida passa rápido mesmo. Deve ser por isso que tem tanta gente que não gosta de comemorar aniversário.

Eu não. Enquanto houver ligações, presentes e abraços sinceros, vou continuar me sentindo uma criança, acordando e dormindo com o sorriso feliz por ter um dia inteiro só meu para comemorar.

 

* Ilustração de Henrique Jorge.

Lorena Goretti
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