Textos

25 de agosto de 2012

Demasiadamente humanos

Não é a numeração da calça que une as mulheres. Na verdade, não caber nela, une mais do que o contrário. Mas o que realmente coloca todas as mulheres no mesmo patamar é a gravidez. Para ser mais precisa, é o pós parto.

Hoje, vinte e cinco dias depois, já posso falar com mais tranquilidade sobre essas quase três semanas desde a chegada de Irene. O meu relato não tem nenhum drama, porque, graças a Deus, correu tudo super bem. Mesmo assim, tem sempre um peito que se machuca, algumas noites sem dormir e uma falta de dignidade que teimam em nos perseguir.

Sim, ser mãe é incrível, mas não é para os fracos. A chegada de um bebê pode, tranquilamente, levar a mais equilibrada de nós ao seu ponto extremo de quase desespero ou cansaço mesmo. Uma criança saudável costuma dormir muito nesses primeiros dias e aí, algum engraçadinho pode dizer: e dormir cansa? Mas veja bem, minha amiga: quem dorme é o bebê, não você. Para as mães de cesária, temos ali uma cicatriz dolorida e um tanto incomoda.

Temos também um medo – que nasce junto com o filho – de que alguma coisa dê errado, então, é normal ficar indo até o berço para checar se está tudo bem a cada 40 minutos. Fora todas as outras milhões de coisas que acontecem com a chegada de um bebê. Ou seja, nada de descanso. Acho que é aí onde as mães do mundo inteiro se encontram.

Gisele Bundchen está grávida e eu só consigo pensar que os peitos dela podem empedrar como os meus. E que talvez ela precise da ajuda de uma enfermeira especializada. Alguém que você paga (caro) para ir na sua casa apalpar o seu peito, massagear o seu mamilo e ver seu leite escorrer (!!!). Gi, se você quiser, tenho uma indicação ótima.

Não tem glamour certo. Pelo contrário. Tem a vida sendo bem ela mesmo: cheia de testes, curvas e surpresas. E tem a gente tentando fazer tudo da melhor maneira possível, pensando que é uma fase e que no fim, vai dar tudo certo.

Ah, by the way, meu peito já está ótimo e Irene está mamando lindamente.

Luanda Fonseca
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