Textos

06 de setembro de 2012

Deus proteja

João está na fase dos super heróis e todos os dias reúne uma galera do bem para as brincadeiras: tem o Homem Aranha (o preferido!), Batman, Homem de Ferro, alguns alienígenas do Ben 10 e até os Power Rangers. Os do bem e os do mal se alternam de acordo com as histórias inventadas, e os diálogos que surgem são um caso à parte. Ali, no meio de tanta fantasia, ele resolve seus medos e tanto o escuro quanto os dinossauros – os maiores medos de todos – vão ficando menos assustadores.

Eis que ontem, eu não escapei da pergunta: “mãe, de que você tem medo?”. Com um nó na garganta, respondi rápido para não perder o timing da brincadeira, que tinha muito medo de barata. João fez cara de mau e tentou me assustar, dizendo que tinha se transformado numa barata gigante. Demos risada e ele continuou a brincar.

Não podia falar a verdade, mas meu maior medo não são as baratas. O que me congela e faz perder a cor nos lábios é o medo de que algo aconteça com ele. Um medo enorme da gente se perder nesse mundo maluco que a gente vive. E fiquei pensando como é ruim não existirem super heróis que possam nos ajudar a crescer sãos e salvos. Eu bem sei que correr riscos faz parte, mas não deixa de ser assustador o que está da porta para fora.

Suspirei e recolhi meus pensamentos. Dei um abraço forte em João, que já tentava fugir daquele aperto, e pedi baixinho proteção para o meu menino.

Luanda Fonseca
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