Textos

18 de setembro de 2013

O guarda roupa nosso de cada dia

Quando a gente chega nesse mundo, já existe um guarda roupa pronto, esperando por nós. É o famoso enxoval. Ali, estão as escolhas de uma mãe zelosa, que comprou ou herdou cada uma daquelas peças que vestirão o bebê nos próximos 12 meses ou mais. Essa relação segue assim até que a menina comece a ter alguma noção do que roupa pode significar.

Minhas estatísticas comprovam: para algumas, isso acontece muito cedo e aí, vamos ouvir histórias engraçadas e outras nem tanto sobre meninas de 3 anos escolhendo o que vestir e fazendo suas próprias combinações. Para outras, demora mais um pouco e vem junto com a adolescência e sua terrível capacidade de esmagar qualquer autoestima em formação. Geralmente é um processo sofrido, onde as meninas querem apenas ser outra coisa que não elas mesmas e copiar a amiga que, já aos 3 anos, sabia o que vestir parece o mais fácil.

Seguimos assim até conseguirmos entender, de verdade, que se vestir pode ser muito mais interessante do que copiar. E que ali, no meio de tantas roupas e peças acumuladas ao longo da vida, existe a nossa história, quem a gente é e, principalmente, o que a gente está passando para o mundo.

Querer ser outra coisa que não a gente mesmo é um mal da sociedade e, por isso, entender a roupa como meio de comunicar quem somos é uma ficha que demora a cair. Foi buscando saber mais de mim e da história que eu estava escrevendo através do meu vestir que entendi a importância do trabalho da consultoria de estilo. Pensa na maravilha que é ter uma mão te guiando por cada uma das suas roupas, te fazendo pensar sobre como cada peça foi parar ali, o que ela representa, como usar, como combinar, como ela te veste. Queria tanto ser a facilitadora de um processo de descobertas, que abracei aquela profissão com todo amor que cabia em mim.

Para cada mulher que topa fazer essa viagem para dentro do guarda roupa, o caminho é diferente e as descobertas também. A minha proposta é parar de olhar o closet da vizinha. É fazer as mulheres entenderem que elas já tem tudo o que precisam e, claro, quem não tem comprar sabendo para que e porque.

O objetivo é se respeitar. Não tem a ver com moda, com se vestir bem ou mal. Tem a ver com ser mais feliz, se permitir e, através da roupa, deixar claro quem somos e o que queremos.

 

 

* Nota da Confeitaria: Quem gosta do assunto, pode acompanhar a a página da Basique Consultoria de Estilo, da Luanda, no Facebook, que tem a proposta tão legal de discutir e repensar moda e auto conhecimento. Na descrição da própria Luanda sobre a Basique: “uma consultoria de imagem que deseja transformar a conexão das pessoas com o vestir, trazendo leveza e felicidade para essa relação.”

Outras reflexões sobre o tema também podem ser encontradas no site da Oficina de Estilo, como nos textos “A Verdadeira Beleza” e “Porque Estilo (E Não Imagem)“, escritos pela Fernanda Resende. Foi com a Oficina de Estilo que Luanda se formou consultora, através da Escola de Qualidade de Vida Para Mulheres. Saiba mais aqui.

Imagem: Kal Barteski.

 

Luanda Fonseca
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