Textos

28 de setembro de 2012

A Crise

Mães e avós sempre nos dizem: o auge de qualquer mulher é aos 30. Ela está linda como sempre, mas já sabe o que quer – e ainda sabe o que fazer quando conquista.

Mas e eu que, aos 26, não sei nem o que quero almoçar, quanto mais o rumo que darei à minha vida?

Não é um milagre, dizem, é a experiência.

Experiência em beber? Experiência em procrastinar?

Experiência de vida. Tem bagagem na vida profissional e sabedoria na vida pessoal, dizem.

Mas e o primeiro fio de cabelo branco que apareceu? E os quilinhos a mais que insistem em acumular?

Aos 30, os olhos ainda são arredondados como os de uma criança e os seios fartos como os de uma adolescente, dizem, e a mulher é estabelecida, cheia de energia e confiança. É uma menina por fora, um furacão por dentro.

E o medo, a insegurança, os julgamentos todos?

Segue em frente, dizem, a mulher de 30 supera qualquer obstáculo.

Mas chegar aos 30 é um apenas um passo para chegar aos 40. Estou ficando velha!

Tem o pico sexual, dizem, e a independência financeira. Tem a autoestima elevada e as opiniões formadas.

E tudo isso vem assim, com o soprar das velas?

Vem quando você parar de fazer tanta merda. Dizem.

 

* Ilustração de Juliana Vomero, criada especialmente para este texto.

Luciana Levy
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