Textos

28 de outubro de 2013

Terminal Campo Limpo é um nome engraçado

Esse motorista de ônibus acelera parecendo que quer tirar a mãe do brega e os passageiros carregam uma cara que só você vendo. Os que vão sentados acham justíssimo acelerador, mas os de pé têm um bico de se eu cair, quebro o cu, no mínimo. Pois avalie a cara deles agora, já depois das 23h! Sem motivo aparente, a TV desse Terminal Campo Limpo começa a exibir uma série de vídeos caseiros. Cachorrinhos implorando o perdão dos seus donos pelas traquinagens de cada dia, com direito a nuvens de espuma de almofada, barrigas pra cima, rabinhos escondidos no sofá. Focinhos pra baixo, cara. O que é que é isso?

De pé que estou – bem presa pra também não quebrar minhas partes – abafo com uma das mãos o riso que sai com potência descomunal. Hora dessa, vídeo de filhote, focinhos e espuma? A gente guardiã do próprio rabo grita sua sinfonia de TSC, TSC, TSC sem dizer um piu. O riso solitário escorrega frouxo e os vigilantes trocam a expressão pra um queporraéssa, olhando a TV, olhando a minha cara, a TV, minha cara, a TV, mais de 23h, minha cara, sem necessidade, as lágrimas caindo do canto do olho e o motorista acelerando pra senhora sua mãe. Ô, vá me desculpando aí o incômodo da sua viagem. Cidade besta retada, nem rir pode mais.

 

* Imagem: Max Brown.

Mariana Reis
Leia mais textos de Mariana aqui.