Textos

18 de março de 2015

Humans of SxSW

SxSW. South by Southwest. Um evento cheio de pompa que traz cada vez mais e mais gente para o Texas. Isso mesmo, o Texas. Aquele lugar cujo imaginário é habitado por cowboys e churrascos servidos com feijão. É centro de música e tecnologia, embora nem todas as pessoas a vejam assim. Ela, a cidade de Austin.

weird

De um lado, os entusiastas do festival old school. Frequentavam tudo desde antigamente, eram os agitadores do evento e faziam as festas nas próprias casas. São os que tanto se orgulham do slogan “Keep Austin Weird”, dizeres estes criados numa campanha que estimulava o comércio local contra a massificação do mundo. Bem válido, aliás.

capitol

O outro grupo de habitantes é contra. Old school também, mas de outro jeito. Passam pelo orgulho de saber que Austin cresceu e enriqueceu, mas parecem ter aquela dúvida atrás da orelha “será que isso foi bom pra cidade?”. É a mesma sensação de se orgulhar com uma certa incerteza do Capitol de Austin, construído com mais altura do que o Capitol de Washington — veja bem, seu irmão mais velho e tecnicamente mais poderoso.

pedicab

Em um terceiro grupo, os felizes trabalhadores do festival. Muitas camadas entram aqui, mas vou exemplificar com os pedicabs, táxis feitos de bicicletas. A maioria jovem, meio hipster meio atlética, dizem que o dinheiro do festival é o suficiente para bancar suas viagens para a Colômbia. Suas parcelas do apartamento. Suas cervejas da noite seguinte. Não se contentam em apenas levar. Conversam, trocam, divulgam. São parte da experiência do SxSW.

open_your_mind

No quarto grupo, os frequentadores. Tem os exigentes, que esperam se maravilhar a cada suspiro dado em Austin. “Não me prendeu, não me pegou, não me emocionou.” Os corporativos, em busca de evernotes, keynotes e qualquernotes que possam surgir por aqui. Tendência. Os inspirados, que a cada passo na cidade sabem como abrir seus ouvidos para o que há de bom. E os inspiradores, que entendem que a alegria de viver não reside na capital texana, mas dentro deles mesmos enquanto estão lá.

amanhecer

No último grupo, os contempladores. Com a alma sossegada, passam pelo festival sem deixar de passar pela cidade e ver o que — além do Convention Center — ela tem de melhor. Tem água, tem rio, tem pequenas igrejas. Tem restaurantes com histórias e luzinhas nas árvores. Tem decoração de suculentas fofas. Tem um sistema de bicicletas públicas. Tem amanhecer e tem flores da primavera — descobri o nome — Texas redbud. Tem tijolinhos por todos os lados. E tem, acima de tudo, um monte de gente disponível para fazer essa experiência valer tanto a pena.

flores

Obrigada, pessoas de Austin. See you soon. And keep it weird, por favor.

luzinhas

 

* Imagens: Bryan Spear (ilustração) e Marina Wajnsztejn (fotos).

Marina Wajnsztejn
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