Textos

26 de setembro de 2012

RIP acaso

Aqui jaz um avô que dava muito risada de desenho animado infantil. Aqui jaz uma amiga de infância que apertava as bochechas para parecer que havia passado blush. Aqui jaz um chefe que falava “não me traga problemas, traga soluções”. Aqui jaz uma amiga da praia que sempre sorria em qualquer momento do papo. Aqui jaz uma antiga colega de trabalho que sempre dava um jeito de escapar do job e culpar alguém depois.

Mas nem todas essas pessoas morreram mesmo. Hoje é o Dia do Perdão, dia em que os judeus repensam o último ano inteiro e pensam em como querem que seja o seu próximo ano. Ontem, na sinagoga, eu li um texto cujo início trazia um pedaço curioso sobre a vida de Alfred Nobel:

“A criação dos Prêmios Nobel ocorreu por um acaso. Quando faleceu o irmão de Nobel, um jornal publicou um longo obituário de Alfred Nobel, por engano, acreditando que fora ele a falecer. Assim, Nobel teve uma oportunidade concedida a poucas pessoas: ler seu próprio obituário ainda em vida. Aquilo que ele leu o horrorizou: o jornal o descreveu como um homem que tornara possível matar mais pessoas, mais rapidamente, que qualquer outro que jamais tinha vivido.”

Aqui jaz uma pessoa que só achava graça se as pessoas estivessem leves.

E você, o que gostaria de ler em seu obituário?

 

* Foto da própria autora: Lápides judaicas abandonadas pós guerra. Janeiro 2012, Varsóvia, Polônia.

Marina Wajnsztejn
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