Textos

05 de setembro de 2012

Love Hurts

A gente terminou e ela fez um fanzine pra mim. Porque a gente é do século passado, né? A gente fazia “fanzines”. Capaz que você nem saiba o que é um fanzine, mas eu não preciso me procupar, porque se você não sabe o que é um fanzine, certeza que sabe o que é o Google.

O meu último tinha saído muito tempo atrás, eu ainda estava na faculdade. O último dela, não fazia tanto tempo assim – ela era mais fanzineira que eu. Sempre foi.

Os seus fanzines eram pequenos punk-zines clássicos, aquela bagunça-visual-colagem-suja que ela sabe fazer tão bem. Os meus eram mais comportados: fanzines de histórias em quadrinhos. É disso que eu gostava, é disso que eu gosto.

Então: a gente terminou (na verdade, eu terminei com alguma variação da conversa-mole clássica “você está me sufocando”. Não me julgue, já faz muitos anos. Eu era apenas um garoto), e ela me fez um fanzine. Um fanzine pra gente voltar, chamado LoveHurts, contando quem a gente foi e quem a gente podia ser.

Balancei, mas fui forte: demorei uns sete meses pra voltar.

Anos depois, ela “meio que terminou” comigo. Como assim? Bom, sabe quando você, teoricamente, termina um relacionamento, mas fica frequentando a pessoa, pedindo pra cuidar dos gatos quando viaja, regar as plantas e coisas do tipo? Então. Assim.

Ela meio que terminou comigo. E foi terminando cada vez mais, me afastando aos poucos. Daí eu fiz um fanzine. Um fanzine bacana, com histórias das nossas histórias e desenhos que eu fiz pra ela.

E ela foi forte: terminou de vez comigo.

Murilo Martins
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