Textos

15 de julho de 2013

Dedicação – Parte II

Há alguns meses, escrevi um texto sobre dedicação aqui na Confeitaria. Nele, eu falava como deixamos, muitas vezes, de fazer coisas que queremos e perdemos uma oportunidade única de colocar a mão na massa para transformar nossas ideias em algo concreto.

Pois bem, reli esse texto há poucas semanas e me dei conta de que escrevê-lo – e ver resposta de outras pessoas falando que se sentiam da mesma forma – me inspirou muito a fazer isso.

Aquele zine, que começou como uma brincadeirinha, cresceu e ganhou uma editora independente. Da editora, nasceu mais dois zines meus e uma parceria linda com um grande e talensosíssimo amigo.

De um convite despretensioso para participar de uma exposição na festa de final de ano da Confeitaria, surgiu a ideia de ilustrar meus desenhos em madeira com pirografia e disso surgiu um projeto que estou tocando agora chamado beleaf.

Olha quanta coisa boa acontece a partir de apenas um começo.
Mais do que isso, essa motivação me fez repensar a forma como as pessoas apresentam seu trabalho e como eu queria apresentar o meu e me veio na cabeça apenas a palavra “amor”.

E qual melhor forma de fazer isso que não seja através das minhas próprias mãos e suor?
Fazendo as coisas com carinho e com cuidado, sabendo que a pessoa que vai receber vai sentir essa energia também é uma possibilidade linda.

Fazer alguém olhar para o seu trabalho e pensar como ele foi feito, por quem foi feito e de onde foi feito é muito bom. Incitar essa curiosidade e fazer com que a pessoa pense que existe uma outra pessoa por trás daquele trabalho é melhor ainda.
E o contrário também vale : imaginar pra quem você está entregando e pra onde vai o seu trabalho nos dá uma energia diferente.

Com essa ideologia na cabeça, comecei a ficar mais sensível, ver a vida de um outro jeito, prestar mais atenção nas pessoas à minha volta, na minha relação com essas pessoas, na minha relação com o espaço em que vivo e isso refletiu diretamente nos meus projetos.

Quando você vê o mundo com essa lente, você para de fazer as coisas no automático e o seu trabalho começa a fazer mais sentido. Sua vida começa a fazer mais sentido.

Parece um pouco papo de louco, né? E até um tanto utópico.

Mas assista a esse documentário (e mais outros 4 capitulos no site deles) e veja quantas pessoas, como eu, também querem doar um pouco de si em seus trabalhos e dividir o que temos com os outros.

Ah, e depois, que tal entrar na minha página, curtir e compartilhar? 😉

Renata Miwa
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