Textos

03 de fevereiro de 2014

Tralhas

Eu te dei o meu maior tesouro.

Você me deu um trambolho pra carregar.

Não é trambolho. São sonhos. Esperanças. E até o meu coração.

Você me deu o peso da sua esperança. A zeladoria dos seus sonhos. E algum tipo de pedra sangrenta que pesa uns 200 quilos.

Mas você deve estar usando errado. Ou ao contrário? Era pra te deixar mais leve. Flutuando. Era pra ser o que você sempre quis.

Você está leve e flutuando. Eu estou carregando o trambolho. Daí da sua nuvem você nem enxerga aqui no chão.

Nuvem? É uma névoa, uma prisão, um labirinto. Eu falo com as paredes. Eu atravesso uma porta e tudo se reconfigura atrás de mim. Devolve minhas coisas.

Suas tralhas?

Minhas tralhas. Alguém, um dia, talvez veja isso como um tesouro.

Duvido.

Eu também. Talvez seja um tesouro pra mim e isso baste.

Você consegue carregar?

Consigo.

Ótimo. Então eu te ajudo.

 

 

* Imagem: Ana Teresa Barboza.

Renato Kaufmann
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