Textos

14 de novembro de 2012

Malas prontas

Viajar! Ah, viajar… Suspiro só de pensar. Poucas coisas nesta vida são tão terapêuticas quanto sair do casulo. É ter um objetivo e tanto: se aventurar sem muita bagagem com o intuito de receber de braços (e malas) abertos o melhor que aquele destino tem a nos oferecer. Nada de “passar as férias”. Viajar é um ato de desespero para se encontrar – é fugir daquela rotina cansativa e se despir de si mesmo.

Outras terras, outras línguas, outras pessoas, rotina quebrada, alma renovada, comprinhas e novas experiências para dividir com todo mundo. Coisas bem simples que mudam a gente, não é?

Já que viajar é, pra mim, uma necessidade incontestável, então o dia em que se vai fazer aquela senhora viagem deveria ser um dia muito, mas muito feliz, certo? Pois o meu é péssimo! Tudo culpa da ansiedade, que não me deixa nem dormir direito na véspera.

Tento sempre ser muito organizada, tomando todas as providências com antecedência. No dia anterior, tudo estará absolutamente em ordem: as malas já fechadas, a roupa da viagem já separada e a listinha de “coisas para levar” já checada. Umas três vezes. E, mesmo assim, vou esquecer algo de suma importância, como meias ou o celular.

O universo conspira e geralmente não é ao meu favor. Se eu for viajar sozinha, então, pior ainda. Ou vou ter que fazer tudo correndo por conta do horário apertado, ou vou ter que enrolar e fazer hora. Mesmo assim, sempre penso que vou perder o avião por algum motivo que foge ao meu controle, tipo um congestionamento impossível, chuvas torrenciais, terrorismos e bombas no avião.

Como na maioria das vezes já deixei tudo pronto, vem a massacrante espera. “Sempre é melhor chegar antes do que se atrasar”. E, no aeroporto, posso ver gente e passear pelas livrarias, né? “Melhor eu ir logo”, decido. Então, lá vou eu, com um nó na garganta…

Como faço check-in como ninguém, não perco tempo. O que é uma pena, porque depois fico passeando aflita. Agora não posso fazer mais nada: estou no aeroporto com as malas prontas, a passagem na mão, já já eu chego lá.

Até que o portão de embarque finalmente se abre. Passo por todos aqueles controles numa boa, entro no freeshop e o clima muda, as nuvens se abrem no céu, os pássaros começam a cantar e eu vejo o paraíso. É só sentir o cheiro de um chocolatinho, ver umas maquiagens e uns creminhos que a paz volta a reinar no meu coração. Ufa.

E este é apenas o começo.

Como é bom viajar…

 

* Texto originalmente escrito para e 11ª edição da emag A Lagarta, com ilustração de Carol Lancelloti.

Tatiana Giglio
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