Textos

03 de dezembro de 2013

Felizes para sempre

– Oi, tudo bem?

– Tudo bem, e você?

– Sei que nos conhecemos há apenas 2 ou 3 anos, mas quero te perguntar uma coisa, posso? – Hum, acho que sim. Rs

– Quero saber se você topa carregar uma ânfora comigo o resto da vida. Mas antes de você me responder, preciso te explicar coisas muito importantes, que farão diferença em sua resposta e que ninguém costuma falar sobre. A ânfora é um vaso criado pelos gregos, que tem uma alça de cada lado. Pois bem. Se você aceitar carregar essa ânfora comigo o resto da vida, você nunca poderá se esquecer de que ela estará cheia de água.

– Se eu soubesse que o pedido era tão simples, nem teria pensado para responder! Se a gente se gosta, claro que…

Ele a interrompeu antes que ela respondesse sem ter certeza do que estava fazendo:

– Não responda ainda, por favor. Preciso te dizer a parte mais importante: Para carregarmos essa ânfora para o resto da vida, teremos que firmar uma parceria, um compromisso. Se em algum momento um dos dois perceberem que está muito pesado para o outro, devemos conversar sobre isso e colocar o vaso no chão para que o outro descanse um pouco. O diálogo e o respeito pelos limites de cada um serão nossos maiores aliados. Se percebermos que um dos dois está tombando a ânfora e a água vai cair, será preciso conversar e, se necessário, correr para segurar as duas alças, pois um de nós pode ter uma vertigem repentina e não dará tempo de resolver através da conversa. E assim por diante. A ideia é carregar o vaso por cerca de meio século sem deixar cair sequer uma gota de água pelo caminho. Te explico o porquê. Não teria problema cair um pouquinho aqui ou ali, tem tanta água neste jarro! Sim, não teria. Mas levaremos essa mesma água durante uns 50 anos. Ela vai evaporar um pouco, vai encher de novo com a água da chuva, afinal, muitos imprevistos acontecem pelo caminho, alguns bons, outros ruins. Faz parte do trajeto. Mas se todos os dias deixarmos cair uma gota para fora, em algum momento o vaso estará vazio. E aí fracassaremos em nosso trato.

A jovem moça ouve atentamente. Seu cabelo castanho esconde um de seus olhos azuis como bola de gude. Ela sente um arrepio que começa na barriga e percorre todo o seu corpo. A sensação é uma mistura de desafio e medo que a deixa desconfortável. Ela nunca havia pensado em tudo isso.

– Agora que você já sabe de tudo, pode responder. Você quer dividir a vida comigo, mesmo sabendo que será um trabalho diário e que teremos que ser muito maduros para dizer um ao outro quando não estivermos aguentando carregar o vaso?

(Silêncio).

Thais Lima
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