Textos

02 de outubro de 2013

A idade da razão

Não sei se é uma espécie de afasia sintática ou combinada (que reconheço quando me expresso na fala) mas já faz mais de um ano que tenho lido quase tudo na internet, seja post de blog, matéria de portal, até textinhos pequenos no Facebook, de trás para a frente, ou de baixo para cima.

Eu vou descendo, lendo só as primeiras palavras de cada parágrafo, e quando chego lá no fim começo a ler tudo de baixo pra cima. Ou é índice de certa demência, da perda, ainda que moderada, da razão, conforme vou envelhecendo (faço 33 em março, ironicamente a “idade da razão”) ou algum tique oriental, do de trás pra frente, pelo pouco que sei de hebraico e de iídiche e pela vontade de aprender japonês.

Mais irônico ainda é o fato de eu trabalhar com texto, com língua e com literatura. E a preocupação de que meu tempo nessa área está se esgotando. Quem sabe eu possa ter algum tipo de aposentadoria por invalidez e eu me volte aos números, como Funes, o memorioso, e seu sistema que enumera toda e qualquer arbitrariedade que vê pela frente. Sempre fui melhor em matemática que em qualquer língua mesmo.

 

* Imagem: Ellen Weinstein para o New York Times.

Thiago Blumenthal
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