Textos

12 de janeiro de 2016

Tic Tac

Para Alice

 

O homem inventou um jeito de contar o tempo. Hoje é dia 6. Existiu o ontem e o amanhã também vai haver. Você nasceu em maio, eu nasci em janeiro, o Carnaval é em fevereiro — em março, talvez. O relógio marca as horas, os minutos e os segundos. Eu te escrevo agora, mas há também o outrora. Passa um ano atrás do outro. Passam também as estações: outono, inverno, primavera e verão. O dia começa de manhã, vira tarde e acaba à noitinha. Pra simplificar, de dia é quando o sol sorri e de noite é quando ele vai dormir. Há também o antes, o durante e o depois. Existe o nunca, que também é conhecido como jamais. Muitas vezes você vai ouvir falar do sempre, mas há uma coisa que muito me intriga: o pra sempre. Tem também o fim, o meio e o início. Enquanto escrevo, o tempo vai passando e ninguém tem nada com isso. O afinal e o enfim são quase a mesma coisa, você logo vai perceber. Ah, não posso me esquecer, de repente é quando a gente nem espera, e em breve é o quando chega rapidinho. Tem dias que eu peço ao tempo pra andar devagarinho. Em outros dias, eu quero que ele corra depressa, mas nem adianta ter pressa, o tempo do tempo é um só e ele não tem dó. Ele mesmo é quem determina onde tudo começa e onde tudo termina. Você ainda é tão menina, mas sobre o nosso tempo eu te digo: nessa vida sou eu com você e você comigo. Pra sempre, desde o princípio até depois do fim, eu pra você e você pra mim.

 

* Ilustração de Gabriela Biscáro para Confeitaria

* * Este texto foi originalmente publicado em nosso fanzine Tempo; Achados e Perdidos.

Veronica Fantoni
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